Mostrando postagens com marcador me myself and I (2010). Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador me myself and I (2010). Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Minha retrospectiva


Coube muita coisa neste ano. Tanta coisa que até assusta.

Parece que foi ontem que 2010 começou. Desci com o Dinho para a Beira Mar a fim de vermos os fogos na praia. Caminhamos no calçadão depois, mas me sentia cansada e voltamos logo. Já era a baita da virose mostrando suas garras. Doença como aquela não quero mais ver. Pegou fígado e coração. Só melhorei no final do mês de janeiro.

Com saúde, a gente enfrenta tudo. Neste ano, couberam 12 dias de silêncio, um fim e um recomeço, um barraco (meu primeiro tapa na cara, meu primeiro revide, meu primeiro BO por questões assim).

Em 2010, coube morar sozinha. Primeiro foi difícil, depois melhorou e ficou ótimo. Não tem mais sabor de novidade, mas ainda assim é bom. Gosto muito do silêncio que me acompanha no café da manhã. Gosto menos dos afazeres de casa, mas eles explicitam que agora sou eu por mim mesma, então tudo bem.

Coube também a felicidade de ver o blog ser acessado 56 vezes em um dia graças a uma história que aconteceu na vida real.

Neste ano, além do apoio dos amigos distantes, coube redescobrir o prazer de sair com as amigas, ver o quanto elas estão sempre aí para o que der e vier. Couberam vários restaurantes: Sah, Santa Grelha, Misaki, Maee, Soho. Couberam filmes e peças, por mais que o Dinho fosse assistir meio sem vontade. Coube até show do ABBA no Mucuripe!

Couberam viagens também. Primeiro Lagoinha no Carnaval, depois Icaraí de Amontada, Natal e Recife desacompanhada.

Couberam enfrentamentos vários neste ano. Venci medos, mas outros ainda me vencem. Questão de tempo, espero. Coloquei em pratos limpos com minha mãe a história de meu nascimento e gostei da sensação de estarmos adultas naquela conversa.

Coube tristeza, coube raiva, coube vida.

Coube amor. Não falo tanto assim porque é nosso e só nos diz respeito. Ly, dinhote.

Enfim, coube tanta coisa que assusta. Aliás, não assusta, não. Isso é só forma de dizer e de exagerar o tanto de coisa. Tanta coisa cabendo assim em 2010 atesta que apenas vivendo a gente vive. E convive com altos e baixos, com tristezas e alegrias, com perdas e ganhos. A gente aprende que tudo é experiência, que tudo escreve a nossa história de vida.

Com esse aprendizado, desejo:

Feliz 2011!

Que ele seja bem largo para caber mais vida.

Para mim e para vocês.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Aleatórios

Estou estudando para a prova escrita de francês. Enquanto faço um intervalinho, compartilho com vocês fatos aleatórios, só para sacudir a poeira que descia sobre este pobre blog abandonado...

- Hoje é o aniversário do meu primo M. Parabéns, M!

- Detesto meu caderno de exercício de francês. Ele disponibiliza um espaço deste tamanho para uma resposta deeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeste tamaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaanho!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

- Minha casa está uma bagunça por causa dos dás. Não tempo, trabalho, canseira. E, porque, às vezes, vontade de fazer o que der na telha e dane-se faxina.

- Meu computador ficou cinco dias sem funcionar.

- Não entendo meus vizinhos. Um deles acabou de chegar com a filhinha (que é fofa), e ficou tocando, tocando, tocando, tocando a campainha. Ouvi tudo porque o quarto onde estou fica bem do lado da porta deles. Perguntei a mim mesma: "Quando é que ele vai concluir que não tem ninguém em casa?" Mas eis que ele saca do celular, telefona para alguém e diz: "É claro que não tô com a chave, ou já teria entrado." Meu Deus, havia efetivamente alguém dentro de casa que preferiu ouvir a campainha soar insistentemente a abrir a porta de uma vez por todas.

- Descobri que meu blog consta na blogroll do Doidos por Cinema. Adorei!

- Outro problema com meus vizinhos e portas: são incapazes de fechá-las; apenas as batem.

- Hoje Dinho e eu vimos o Sol nascer a caminho da praia. Muito legal e muito lindo.

- Fiz um Workshop de Renascimento na água no fim de semana passado. Depois conto tudo.

Fico aleatoriamente por aqui.

domingo, 14 de novembro de 2010

Home sweet home


De volta de novo, desta vez de Recife, desta vez viajando sozinha. Fui tirar o visto no Consulado Americano e resolvi matar duas baratas com uma chinelada só (preferível a matar coelhos com cajados) e enfrentar meu medo de viajar sem acompanhante.

Cada vez mais descubro que, uma vez vencido o medo que você tem de uma coisa, mais bestas parecem o medo e a coisa. Tinha tanto receio de viajar sozinha, e foi tudo tão fluido e tão legal. Resolvi seguir com a maré e dei sorte com o que encontrei. Como sempre tenho a necessidade de planejar tudo, decidi fazer diferente e ver no que dava. Saí de Fortaleza sem programação alguma, com exceção das dicas que a Lu havia me passado. Cheguei ao hotel quase ao meio dia da quinta-feira, descobri, às 13h, que partiria um city tour dentro de quarenta minutos, paguei o passeio, engoli o almoço e zarpei de van para conhecer Recife Antigo e Olinda.

No dia seguinte, fui para minha entrevista no Consulado. Pedi que o hotel me chamasse um táxi e então descobri o Seu Xexéu, o taxista mais chapa que já conheci. Marquei com Seu Xexéu a ida para a Oficina Brennand à tarde. Quando ele viu que o que mais me empolgava era a área verde e a porção de Mata Atlântica que nos cercava, acabou me levando, sem cobrar nada extra, para conhecer o Instituto Ricardo Brennand. Infelizmente não deu para entrar porque estavam fechando, mas tive uma prévia que me inspira a revisitar Recife num futuro próximo.

No terceiro dia, resolvi dar uma relaxada. Fui só à praia e ao shopping. No quarto dia, não havia muito tempo, então restou curtir o hotel e arrumar as malas para voltar.

Falando em hotel, deixo mais uma dica de hospedagem. Gostei muito do Hotel Aconchego. A estrutura é bem simples, mas adorei o serviço. Eles oferecem transfer do aeroporto para o hotel, o que achei muito útil. O restaurante e o bar estão abertos durante todo o dia, e os preços são acessíveis. No cardápio, há desde pratos mais feijão-com-arroz a opções bem diferentes. Num dia em que me senti mais ousada, arrisquei pedir um peixe com crosta de canela e molho de goiaba. Até agora estou em dúvida se recomendo ou não, rs. Outro ponto positivo para esse hotel é sua localização: basta descer algumas quadras e estamos na praia de Boa Viagem; bastar subir alguns quarteirões e dobrar algumas esquinas e chegamos ao Shopping Recife.

Enfim, tudo correu muito bem. Gostei da experiência de viajar sozinha. Parece que as conversas com as pessoas que encontramos ganham mais valor. Mas hei de admitir que olhava o sofá do bar, a piscina e a mesa de sinuca do hotel e pensava que bom mesmo era estar ali acompanhada dos amigos e do Dinho. Sem falar que assim a gente curte viagem sem curtir saudade...

Bom, fica pra próxima. Afinal, ainda faltou conhecer Porto de Galinhas e o Instituto Ricardo Brennand, entre outras muitas coisas.

p.s.: A foto não é minha. Seu Xexéu morreu de rir quando eu disse que precisava criar vergonha na cara e comprar uma máquina fotográfica, mas a verdade nua e crua é que viajei e não tirei uma foto!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

De volta

De volta de Natal! É, nem avisei que ia e já fui, rs. Aproveitei o feriado para conhecer com o Dinho a capital do Rio Grande do Norte e a praia de Pipa.

Adorei Natal. É engraçado, mas quando ouvia pessoas dizendo que gostavam da cidade por ser limpa e organizada, imaginava-a quase como uma cidadezinha de interior. Concepção mais equivocada que a minha, impossível. Natal é grande e ampla, pelo menos por onde andamos, e acho que dá umas liçõezinhas para Fortaleza no tema engenharia de trânsito. Por mais que eu seja incomensuravelmente leiga no assunto, é inegável que o trânsito flui bem melhor lá, mesmo com esse aumento notável no número de veículos que houve nos últimos anos.

Como cada vez mais percebo o valor de indicações de hotéis e pousadas quando viajamos, vou deixar registrada a experiência que tivemos na Das Flores Inn, uma pousada a um quarteirão da Praia de Ponta Negra. Achei o local bem charmosinho: é fofo que cada quarto tenha nome de flor. Ficamos no quarto Helicônia, que é mais simples, mas ainda assim possui uma varandinha (com vista para o muro, infelizmente). Há frigobar, ar condicionado, ventilador de teto, TV e internet wireless. Adorei o banheiro por ser grande e adorei o chuveiro por ser forte e ter água quente sem precisar estar coordenando duas torneiras que parecem nunca se comunicar (não coleciono boas lembranças com chuveiros e água quente). Deixo registrado somente que o café da manhã é bastante simples e que nunca limparam a piscina enquanto estivemos lá. No entanto, isso é bobagem diante do quão agradável e tranquilo é o lugar.

E Pipa... Uau! Amei a praia, o mar calmo, as lojinhas e restaurantes... Que lugar legal. Não fomos ver golfinho algum porque já me provoca enjoo só olhar o balanço daqueles barcos minúsculos, mas mergulhamos na maior piscininha que vi e cochilamos à sombra das falésias (e isso é quase poético :o).

Bateu até desânimo em voltar para a vida real, mas era o jeito...

sábado, 16 de outubro de 2010

Um espelho a "contrario sensu"


Ah, finalmente sentei para escrever este post, que estava martelando há tempo na minha cabeça.

Tive a oportunidade de participar de mais um Workshop de Renascimento no último fim de semana de setembro. Dessa vez, fui assistente e gostei muito da experiência. É gostoso dar suporte para as pessoas que estão experienciando a técnica, principalmente quando o fazem pela primeira vez.

No entanto, devo dizer que o mais marcante nesse trabalho foi ter estado na companhia do meu irmão, que foi à palestra, gostou do que experienciou e quis fazer parte do evento (para entender de que palestra e workshop estou falando, ver este post aqui).

Para explicar por que essa experiência foi marcante, começo falando de uma metáfora. Foi preciso vencer uma resistência antiga, mas hoje em dia gosto de trabalhos em grupo porque me proporcionam vários espelhos (e aprendi a importância disso graças à minha analista). Escuto as pessoas e percebo que muitas de suas questões são as mesmas que tenho. Essas pessoas espelham minhas dificuldades, meus sentimentos, minhas dúvidas, até meus draminhas! É enriquecedor perceber meus padrões reproduzidos em outras pessoas; isso proporciona um instrumento para análise de mim mesma. Como se trata de terceiros, fica mais fácil compreender meu comportamento porque ganho uma objetividade que nem sempre é tão aguda quando se trata de olhar somente para mim. Tendo isso em mente, estava curiosa para ver quem me serviria como espelho, e quais questões, padrões e comportamentos seriam espelhados.

No entanto, nesse workshop, o que me encantou não foi o que existia de comum entre mim e as outras pessoas, mas sim o que havia de diferente entre mim e meu irmão. Enquanto crescíamos, sempre gostei de perceber no que diferíamos. Era um modo de notar o que era próprio meu ou dele ou o que provinha da educação que recebemos.

Pois bem, durante o evento, meu irmão foi um espelho a contrario sensu. Foi importante ver o que ele tinha que eu não tinha. Foi interessante não ver um padrão meu reproduzido nele. Em síntese, o que ele não espelhou é que revelou uma imagem de mim mesma.

Percebi o quanto somos diferentes quando inseridos em um grupo. Quando estou entre várias pessoas, sinto uma certa paralisação, um desconforto. Em regra, me sinto muito bem quando interajo com pessoas, mas desde que em número limitado. Basta ter a atenção de um grupo para experimentar uma certa insegurança (embora isso não se aplique quando dava aulas). No caso de trabalhos como o Workshop de Renascimento, sempre que chega o momento de compartilhar as experiências durante a técnica, bate aquela sensação de que nada do que vou dizer vai interessar. Por essa razão, sou sempre a última a falar, na vã esperança de que se esqueçam de mim e de que não tenha de efetivamente dizer qualquer coisa.

Meu irmão, por outro lado, não só falou e interveio com desenvoltura, como se voluntariou a compartilhar! Nem consigo expressar a surpresa que foi perceber que somos diametralmente opostos nessa questão. Isso me fez perceber o quanto esse problema é só meu (no sentido de não provir da nossa formação) e me indaguei onde forjei essa insegurança. Até agora, consigo somente enxergar minha vivência no colégio. Acho que não reagi bem ao papel de melhor aluna que me impus. Criei a pressão de que sempre devia dar a resposta certa, de forma a preencher as expectativas que pensava terem de mim. Naquela época mesmo, dizia para os meus botões que ninguém se importava tanto assim se eu errasse ou acertasse, mas acho que não consegui me convencer, rs. Como consequência, preferia muitas vezes só me calar.

O problema é que isso me parece mais um sintoma do que a causa do desconforto e da insegurança, então continuo sem respostas por enquanto.

E fico por aqui.

sábado, 9 de outubro de 2010

Não entendo

De volta ao mundo virtual. Alguns eventos andaram modificando minha rotina nesses dias, e fiquei colecionando ideias que queria transformar em posts até poder sentar na minha cadeira com a tranquilidade de que preciso para escrever.

Dos vários temas que circulam pela minha cabeça, hoje escolho falar da minha prima Isabele. Na quarta-feira passada, lembrei que foi graças à Isabele que ouvi falar da Madona pela primeira vez. Eu era criança ainda, e brincava com ela no seu quarto enquanto ouvíamos uma música. Aí meu pai apareceu na porta, encostou-se com os braços cruzados sobre o peito e censurou:

"Como é que se gosta de Madona?"

Não sei bem o que a Isabele respondeu, mas acho que defendeu seu gosto musical e a artista. Aliás, acho que a primeira vez que ouvi alguém falar em inglês foi com a Isabele. E o primeiro e único coração que vi desenhado em uma estante, representando a paixonite por algum colega de escola, foi também com a Isabele.

Lembrei de tudo isso enquanto estava sentada no velório da Isabele, na AABB de Itapipoca. Infelizmente minha prima faleceu aos 33 anos de idade, deixando dois filhos, marido, pais, irmãos, tios e primos sem entender muito bem.

Aliás, devo dizer que eu não entendo muito bem. Não é que não compreenda a morte. Não entendo muito bem é como é que se convive com uma ausência, no nível mais físico que isso pode significar. Sabe aquele verso da música do Chico Buarque que diz "A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu"? É dessa ausência que falo, dessa ausência que transparece nas coisas do dia-a-dia que ficaram para trás, parecendo sem utilidade.

Não entendo muito bem o que é que o marido da Isabele vai fazer quando abrir um armário cheio de roupas que ela não vai mais vestir. Não entendo muito bem como é que seus filhos vão lidar com o lado vazio na cama de casal quando eles tiverem medo de dormir sós e forem para o quarto dos pais. Não entendo muito bem como é que meus tios vão comemorar aniversários ou natais com apenas três dos quatro filhos que tiveram.

Essa ausência sempre me assusta quando penso na morte. É a medida da perda sentida no mundo cotidiano, é um vazio que preenche um espaço, que chama a atenção para aquilo que não ocupa mais. Desconfio que nem crença espiritual alivia essa dor... somente o tempo deve servir como algum remédio, depois de o tempo passar bem muito.

E fico por aqui porque, já que não entendo, não sei como terminar este post.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Coisas que a gente só descobre morando

Somente depois que me mudei descobri que:

a) Meus vizinhos mais próximos não mudaram. Não mudaram em dois aspectos. São as mesmas pessoas que estavam aqui há mais de onze anos. E são as mesmas pessoas que conservam os mesmos hábitos há mais de onze anos. Eles são incapazes de apagar a luz do corredor, o que torna a atividade banal de dormir à noite impossível para qualquer pessoa que venha a ocupar meu quarto de estudo/hóspede. É que esse cômodo tem uma janela que dá para o referido corredor e a luz ilumina o quarto inteiro. Vou ter de colocar uma cortina no futuro. Despesas, despesas.

b) Devo sempre levar em consideração pelo menos cinco minutos de espera pelo elevador quando for calcular o tempo para chegar em algum lugar. Ele é muito leeeeeeeento.

c) Por falar nisso, devo levar em consideração também o tempo para sair do prédio. O trânsito pode ser muito pesado e, nesse caso, quem é leeeeeeenta sou eu.

d) A porta do box do banheiro me adora. Toda vez que tomo banho, ela não quer me deixar sair. Vou avisar no trabalho que, se um dia eu não chegar, é porque estou presa dentro do meu próprio banheiro. Vou ter de trocá-la no futuro. Mais despesas, despesas.

e) Morar praticamente do lado do consultório da minha analista não significa que não vou me atrasar para a sessão.

Falando em atraso, meus afazeres de segunda feira me esperam. Vou embora deixando esta música. Gosto cada vez mais da minha vida a um, e há dias em que me sinto uma Miss Independent. ;o)

domingo, 5 de setembro de 2010

Sobre pais e filhos e a necessidade de permitir sofrimento


Quando estava ainda no segundo ano do Ensino Médio, recebi uma oferta de meia bolsa para cursar o pré-vestibular no Colégio Geo. Do fundo do meu coração, não queria ir. Durante toda a minha vida, havia estudado no Irmã Maria Montenegro. Meus amigos e professores estavam lá. Não me importava nem a suposta melhor qualidade de ensino do Geo; para mim, meu lugar era onde sempre estivera.

Mas a situação financeira do meu pai pedia que eu aceitasse a proposta. Na segunda-feira que iniciou o ano letivo de 1999, fui estudar no novo colégio. Fiquei no Geo.

Por apenas quatro dias.

Exatamente. Retornei para o Irmã Maria depois de apenas quatro dias. Minha mãe e minha tia, preocupadas com a tristeza em que eu me encontrava, resolveram interceder. Minha tia conversou com a diretora do Irmã Maria, que me conhecia desde criança, e que acabou por me conceder o mesmo desconto que o Geo ofecera.

Voltei na sexta para o Irmã Maria com um sentimento de fracasso. O pensamento que me vinha constantemente era o de que não fora capaz sequer de mudar de colégio. Era fato que havia ficado muito triste nos três primeiros dias na escola nova; no entanto, as coisas haviam começado a melhorar na quinta-feira, dia que ignorava ser o último por lá.

Recentemente me peguei pensando em como minha vida poderia ser diferente se tivesse permanecido no Geo. Talvez lá eu nunca fosse uma das melhores alunas da sala, e isso contribuiria para minar minha busca por essa perfeição ou esse pedestal que não existem. Talvez houvesse feito muitos outros amigos, e um deles tivesse sido meu primeiro namorado. Talvez viesse a acreditar mais em mim por ter vencido um desafio, e esse medo paralisante que sinto às vezes não fosse mais um problema. Tantas coisas poderiam ser diferentes.

O que quero mostrar com essa história?

Que deixar um filho sofrer pode ser a melhor coisa que um pai pode fazer por ele. Talvez isso pareça absurdo, sádico ou irresponsável, mas não o é. O preço de sempre proteger um filho das dificuldades da vida é torná-lo inapto para ela. Como venho descobrindo, invariavelmente quem paga esse preço é o filho.

A questão é que encaramos sofrimento como algo a ser evitado a todo custo, como se nada de bom pudesse nascer dele. Podemos afirmar isso de um sofrimento desnecessário, causado por apego, medo, masoquismo ou qualquer outra causa egoica. O mesmo raciocínio não pode ser aplicado ao sofrimento que é componente da condição humana. É impossível viver sem experimentar perdas, e, se elas existem, é porque ganhos também advirão delas. Nesse aspecto, sofrimento é pressuposto de crescimento.

Sobre isso, gostaria de compartilhar este trecho do livro Um novo mundo: o despertar de uma nova consciência, de Eckhart Tolle:
Se você tem filhos pequenos, ofereça-lhes toda a ajuda, orientação e proteção que estiver ao seu alcance. Contudo, mais importante ainda é: dê-lhes espaço - espaço para que possam existir. Você os trouxe ao mundo, mas eles não são "seus". A crença "Eu sei o que é melhor para você" pode ser adequada quando as crianças são muito pequenas; porém, à medida que elas crescem, essa idéia vai deixando de ser verdadeira. Quanto mais expectativas você tiver em relação ao rumo que a vida delas deve tomar, mais estará sendo guiado pela sua mente em vez de estar presente para elas. No fim das contas, seus filhos cometerão erros e sentirão algum tipo de sofrimento, assim como acontece com todos os seres humanos. Na realidade, talvez eles estejam equivocados apenas do seu ponto de vista. O que você considera um erro pode ser exatamente aquilo que seus filhos precisam fazer ou sentir. Proporcione o máximo de ajuda e orientação, porém entenda que às vezes você terá que permitir que eles falhem, sobretudo quando estiverem se tornando adultos. Pode ser que às vezes você também tenha que deixá-los sofrer. A dor pode surgir na vida deles de repente ou como uma conseqüência dos seus próprios erros. (p. 92)
Hoje, revi Pequena Miss Sunshine com uma amiga. Há uma cena em que o irmão de Olive (a garotinha) implora para a mãe impedi-la de subir ao palco. Diz que as pessoas vão rir de Olive e que a mãe tem obrigação de protegê-la. A mãe, mesmo apreensiva, escolhe deixar Olive decidir. Para o irmão diz, "Eu sei que quer protegê-la, mas temos de deixar Olive ser Olive". Para a filha, esclarece que, se quiser desistir, não há problema, pois todos já estão orgulhosos dela. Olive decide ir. E então começa o trecho mais engraçado do filme.

Que tenhamos a coragem dessa mãe. Sei que não é fácil. Aliás, dado que não sou mãe, é mais apropriado dizer que nem sei quão difícil deve ser. Mas trata-se de um aprendizado por que pais e filhos devem passar.

À minha tia, que sei que visita o Reflexos de vez em quando, digo que não a culpo. Sei que agiu por amor e com a melhor das intenções. Beijo, tia.

sábado, 4 de setembro de 2010

Para não ter medo de renascer

Há mais de um ano, recebi do Aluízio um email com o texto abaixo. Imprimi-o para reler quando quisesse, mas perdi o papel no meio de tantos outros que guardo. Recentemente, enquanto fazia uma hiper-mega-triagem pelas tralhas que andei acumulando, encontrei-o. Nessas horas, até que é fácil acreditar em providência divina ou crer que a Existência trabalha em seu favor, porque parece que esse texto ressurgiu no exato momento em que precisava dele. Foi um alento todas as vezes em que senti medo por causa dessa nova etapa de vida que iniciei.

Diz-se que,
mesmo antes de um rio cair no oceano,
ele treme de medo.
Olha para trás,
para toda a jornada,
os cumes, as montanhas,
o longo caminho sinuoso
através das florestas,
através dos povoados,
e vê à sua frente
um oceano tão vasto
que entrar nele nada mais é
do que desaparecer para sempre.
Mas não há outra maneira.
O rio não pode voltar.
Ninguém pode voltar.
Voltar é impossível na existência.
Você pode apenas ir em frente.
O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.
E somente quando ele entra no oceano
é que o medo desaparece.
Porque, apenas então,
o rio saberá que não se trata
de desaparecer no oceano,
mas tornar-se oceano.
Por um lado é desaparecimento
e por outro lado é renascimento.

Osho

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Escolhendo as laranjas

Estou de volta ao mundo virtual. Por motivos desorganizacionais meus e administrativos da NET, fiquei mais de uma semana sem acesso à internet no meu apartamento.

Ah, sim... finalmente me mudei.

O que não quer dizer que a mudança mais longa da história terminou. Pensando bem, ela também é a mudança mais mal planejada de que tenho conhecimento. Meu modus operandis é andar com uma caixa dentro do carro. Toda vez que passo na casa dos meus pais, trago alguma coisa pra cá. Assim, divido o todo em partes, e não parece mais tão desanimador mover tudo de um lugar para outro sozinha.

E o que dizer de morar só?

Bem, até agora está sendo uma mistura de sentimentos. Na primeira noite em que dormi no apartamento, até que me senti contente. Era um passo que adiava desnecessariamente, e vencer a resistência que ainda existia tinha ares de uma vitória. Comemorei fazendo uma meditação Kundalini no meio da minha sala, coisa que, se você seguir o link, entenderá que era impossível fazer na casa dos meus pais sem ser chamada de doida.

Mas, quando acordei no dia seguinte, bateu uma tristezazinha. Ela ainda me visita de vez em quando. Não sei bem dizer por que vem, mas aparenta ser referente a um sentimento de solidão. Isso chega até a ser engraçado. Analisando minha rotina com relação aos meus pais e ao meu irmão, nada mudou significativamente. Não éramos uma família que sentava à mesa unida, porque cada um tem seus horários. Não víamos TV juntos porque cada um tem seu gosto e seu aparelho no quarto. De certa forma, éramos sozinhos em grupo. No fim das contas, o que fiz foi apenas mudar de local. Conversar com eles só requer uma ligação ou descer a Carlos Vasconcelos ou a Barão de Studart em direção à praia. Mas, mesmo assim, às vezes olho os cômodos e algo parece faltar. Acho que é porque já moramos aqui juntos.

E aí a mistura continua, e digo que morar só também é muito bom. É um prazer inédito na minha vida encontrar as coisas no exato lugar em que as deixei, por mais (in)apropriado que seja o local. Adoro fazer as minhas compras de casa, inobstante o tamanho da fila no Carrefour. É libertador poder ouvir a música que quero sem ser questionada, cantar e desafinar sem ser criticada, meditar sem ser interrompida. Sem falar que poderei receber meus amigos para papear, assistir a filmes ou tomar banho de piscina. E, paradoxalmente, a mesma solidão que me entristece me agrada às vezes. Ah, já falei do prazer inédito de encontrar as coisas no exato lugar em que as deixei? Não tem preço.

Por fim, explico o título. Quando pensava em me mudar, uma pergunta que vinha constantemente à minha mente era: como é que vou saber escolher as laranjas? É que nunca havia comprado as laranjas do meu suco no café da manhã. Meu pai sempre fazia a feira e eu nunca prestava atenção quando ele as comprava. Então essa indagação resumia todo o meu medo e insegurança de caminhar com as próprias pernas. Aliás, era mesmo uma metáfora para esse processo.

Devo dizer que agora estou escolhendo essas laranjas metafóricas.

Só falta fazer isso com as de verdade. ;o)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O carro está vazio

Há mais de dois anos, rompi a amizade com um colega de trabalho. É claro que foi uma situação muito difícil. Sentia a falta da pessoa, mas parecia imperativo que não nos falássemos mais. Um dia, chegando ao estacionamento da JF, passei pelo carro desse colega. Estacionei o meu, colei a testa no volante e esperei. Esperei pelo amigo. Ele nunca chegava ao trabalho naquela hora, então poderia ser que estivesse dentro do seu veículo me aguardando para que consertássemos as coisas entre nós. Continuei esperando. Chorei esperando.

Nada.

Não aconteceu nada, porque o carro estava vazio. Eu que havia construído uma ilusão. Naquele instante, somente eu fui responsável por meu sofrimento. O problema é que não percebi.

O problema é que não percebemos. Quantas vezes criamos expectativas infundadas? Quantas vezes sonhamos sem resultados? Às vezes, esperamos por fantasmas ou heróis. Outras vezes, esperamos pelo mundo ou pelo destino. No fim, sofremos porque não conseguimos o que desejávamos. Expectativas são frustradas, sonhos se evaporam sem ações para executá-los, fantasmas e heróis não existem de verdade e mundo e destino não nos dão coisa alguma se não sairmos do lugar (e olhe lá).

Estou dizendo para pararmos de sonhar? Minha vontade é dizer que sim, mas esse "sim" envolve toda uma teoria de "aqui e agora" de que não quero falar hoje, porque estou com medo de o blog virar zen demais para o meu gosto. Então não vou dizer que devemos parar de sonhar, mas que nunca ignoremos a realidade. Se tiramos o pé do chão e nos perdemos no emaranhado que é a nossa cabeça, sempre com desejos de ser mais, de ser especial, de querer mais, somente conseguimos frustração e sofrimento. Tudo debitado na nossa conta por nossa conta.

Hoje a situação que narrei quase se repetiu. A diferença foi que, dessa vez, lembrei:

O carro está vazio.

domingo, 8 de agosto de 2010

Meu adeus

É um fato inédito postar três vezes em um dia, mas este é o post essencial de hoje e destoa completamente dos outros dois. Recebi agora à noite a notícia de que uma ex-aluna cometeu suicídio. O amigo que me contou soube enquanto eu estava viajando e esperou para me ver pessoalmente para relatar o acontecido.

É um momento de choque e de compaixão, infelizmente tardia e inefetiva, porque não posso sequer tentar ajudar a M. A lembrança que tenho dela é de uma pessoa sempre alegre e ativa, que não condiz com todo o processo de autoisolamento que culminou em sua morte. Ela não deixou nota ou explicação. Não fez alarde, não acusou alguém ou uma situação. Deixou um mistério para nós e a dor para os mais próximos.

Como meu amigo disse, somente uma dor existencial muito grande justificaria esse ato. Concordo com ele. Uma dor desse tamanho pede nossa compaixão e nosso amor.

Não sei o que pensar sobre a morte. Não sei se ela é passagem, fim ou recomeço. Por hoje, vou escolher acreditar que a M. encontrou a paz.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Fechem os olhos


Foi o que o professor de teoria musical nos disse ontem na aula, para que pudéssemos nos concentrar melhor nas notas.

Zapt. Fechei os olhos, assim ó, rapidinho, sem reservas e sem medo. Me diverti com minha prontidão.

Por quê?, você pode perguntar. Por que conseguir fechar os olhos é uma coisa digna de nota?

Porque estávamos em um lugar público. Porque eu sempre tive dificuldade em fechar os olhos em lugar público. Batia um receio de que tivesse entendido errado, e aí só eu estaria com as pálpebras cerradas, pagando mico. Dava vontade de espiar para ver se estava todo mundo mesmo de olhos fechados. Sem falar que me achava levemente ridícula.

O evento de ontem se encaixa com a vontade que senti de escrever um post sobre quem eu era e sobre quem sou. Essa ideia me ocorreu ainda no Kyol Che, no entanto, como um dos princípios desse trabalho é não se perder no mundo dos pensamentos, deixei para lá. Quando voltei ao mundo aqui fora, com acesso a celular e internet, encontrei no meu Orkut um recado de um amigo do tempo de colégio, dizendo que dois outros amigos me procuravam no twitter e que ele havia passado o endereço do meu blog para eles.

Me perguntei se meus amigos estranhariam o que encontraram aqui. A Ana Raquel fazendo retiro de meditação? Fazendo Renascimento?

Houve um tempo em que descartei tudo o que abraço hoje. O engraçado é que nem me lembro mais como era. Só sei que não fazia parte dos meus hábitos meditar, acreditar que há uma Unicidade subjacente em nós e em tudo que existe, parar para sentir a manifestação das emoções no meu corpo.

Mas sabe o que é mais engraçado? Não disse que tinha pensado em escrever um post sobre quem eu era e quem eu sou? O engraçado é que esses "eu era" e "eu sou" não correspondem a quem sou de verdade, porque quem sou de verdade (minha essência) nunca mudou nem mudará. Esses "eu era" e "eu sou" constituem apenas ideias que construí sobre mim mesma, ideias que minha mente edificou para formar uma identidade, mas que, na verdade, são somente a soma de conceitos que só existem na dimensão mental. O problema de todos nós é que confundimos esse "eu" mental (ego - em um conceito que suponho ser diferente do da psicanálise) com quem realmente somos.

Quer ver? Pergunte-se a si mesmo quem você é. Se você disser seu nome, você não respondeu quem é, você só disse seu nome. Se você disser eu sou professor, sou advogado, você estatui sua profissão, e isso ainda não é você*. Se você se sair com sou pai, sou mãe, sou filho, você está relatando papéis que representa em relação a outras pessoas. Se você falar sou uma pessoa rancorosa, sou uma pessoa amorosa, você está repetindo conceitos de si mesmo, que provavelmente foram criados a partir da forma como você lida com as coisas no mundo, mas ainda sim são só conceitos.

Faça esse exercício. Vá dizendo tudo o que a mente lhe diz quando você se pergunta quem você é. Leve o tempo que levar. Quando você não encontrar mais nada a não ser um vazio, um silêncio na cabeça, por incrível que pareça, você terá encontrado quem você é. Quem nós somos de verdade não é exprimível em palavras. Quem somos de verdade apenas é.

Tudo isso pode parecer meio viagem, mas basta começar a praticar e a experienciar isso que as coisas parecem fazer sentido. O grande segredo é se desidentificar com todos esses pensamentos que mentem sobre quem você é ou com a "história de você mesmo" que seu ego criou. A resposta é fechar os olhos para essas autoimagens.

Viram?

Fechem os olhos.

---------
*Essa explicação pode ser vista em um DVD chamado From Science to God, de Peter Russel.

domingo, 1 de agosto de 2010

Fim do namoro

Quando comecei a namorar o Márden, sempre sentia um receio de falar dele aqui no blog porque pairava a dúvida: e se acabar? Invarialvemente os apaixonados me parecem tolos depois que a relação termina. Lembro de uma colega que, quando começou a namorar um cara, atualizou tudo no Orkut com o nome dela e dele, colocou foto, juras de amor. Então houve o término e, para mim, aquilo tudo parecia rir da cara dela.

Aí resolvi me entregar e deixar pra lá, principalmente quando vi que o próprio Márden não tinha essa reserva. Na verdade, quem estava errada era eu. Meu medo de exposição estava atuando e impedindo de fazer algo que era natural.

Só que o namoro acabou. Apagar fotos no Orkut foi relativamente simples, mas aqui... aqui estanquei. Não achei que devia deixar as coisas como estão, porque isso não dá o real retrato da situação, e lidar com a realidade é a única solução para qualquer problema. Daí pensei em editar os posts. Pensei em apagá-los.

Mas percebi uma coisa.

Olhei de relance os posts em que menciono meu ex-namorado. Eles não parecem rir de mim. Eles só contam uma história. Como tudo acaba, essa história também terminou. Assim, decidi escrever este post para sinalizar esse fim aqui no Reflexos.

Agora resta a nós dois virar a página.

Mais uma vez.

Sempre.

Impermanência e inevitabilidade

Essas são duas palavras que me acompanham desde que voltei do Kyol Che.

Tudo é impermanente, tudo acaba. É inevitável.

Então por que resistir?

sábado, 31 de julho de 2010

Retornei do Kyol Che

Retornei.

Foram quatorze dias de retiro, doze dos quais passados em silêncio. Por incrível que pareça, ficar sem falar é a parte fácil; mais difícil é silenciar dentro da cabeça. Esse foi meu maior desafio toda vez que sentava para meditar.

Então aprendi que o importante não é silenciar, mas evitar pegar carona nos pensamentos e viajar na maionese. A questão é conseguir se desindentificar do pensamento, apenas observá-lo como quem percebe um fato, e deixá-lo ir. Não adianta brigar com a mente para ela calar a boca - isso só desgasta, e o meu primeiro dia foi cansativo justamente porque tentei lutar. No segundo dia, a pessoa que nos orientava deu a dica: relaxe. E as coisas melhoraram. O ruído mental não diminuiu, mas deixou de me afetar tanto. Houve momentos em que experimentei um silêncio profundo. Ocorreram instantes em que sentia paz e contentamento tais que um raio de sol me emocionou, o calor da lareira me fez sorrir, e a Mata Atlântica pareceu minha irmã.

Retornei para mim mesma.

É incrível como me permito me perder em meio às preocupações, como esqueço que a resposta está o tempo todo aqui agora, no aqui e agora. Só existe este momento. Passado e futuro, apego ao passado e apreensão pelo futuro, isso é criação nossa para nos atormentarmos. Deixando isso de lado, a gente experimenta a vida de verdade.

Para quem quiser saber mais, essa experiência trata-se do retiro Kyol Che, sob coordenação de Samvara Bodewig. Ocorreu no período de 17 a 30 de julho, no Morgenlicht, em Nova Friburgo, Rio de Janeiro.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Tia Quel, isso é um dócolis!


Foi o que a L., minha sobrinha de coração, falou ao ver a árvore que desenhei pra ela, achando minha obra de arte muito parecida com um brócolis.

:o)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Primeira inauguração

Está longe de o apartamento estar perfeitamente habitável, mas a amiga Bb precisava fazer um trabalho para a monografia em Psicodrama, e ele foi eleito o lugar mais acessível para todos.

Estou devendo fotos para a Lu e infelizmente esqueci de tirá-las ontem. Pelo menos nessa aí, o sofá novo é parcialmente visível. ;o)

Vou confessar que essa nova etapa da minha vida está dando friozinho na barriga... Medos e inseguranças vêm e voltam. Na maioria das vezes, tento me lembrar que nada vai ser tão difícil quanto imagino, porque sei que ainda possuo um jeito de funcionar na vida que faz muita tempestade em pouco copo d'água. Também digo para mim mesma que agora terei um espaço para receber minhas amigas e meus hóspedes, e isso me deixa feliz.

Falei pouco dessa mudança aqui no blog. Para começo de história, digo que ela está sendo beeeem demorada. Acho que meus pais me cederam o apartamento em março deste ano. É um imóvel antigo, onde moramos durante oito anos, e que recentemente foi desocupado. Comecei com os pequenos passos. Fiz uns consertos na parte elétrica e hidráulica. Comprei uma geladeira, os móveis da sala (aqueles do post Tok Stok - tsk, tsk) e ganhei muitas coisas dos meus pais. A cama chega neste fim de semana. Há muito tempo, sabia que queria aquelas fontezinhas d'água, dessas que a gente encontra no Mundo Verde, e comprei uma para celebrar o fato de que o espaço agora me pertence (porque houve quem torcesse o nariz para essa minha vontade). Ganhei um lindo porta-chaves da minha tia e uma linda bailarina do Márden.

Por enquanto, é só. Quando chegar de viagem, me mudo de vez. E aí devem surgir muitos posts sobre minhas mancadas como dona de casa. :o)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Em reverência à vida

Começou quando soube pelo blog da Lu, que a amiga dela, também chamada Luciana, havia falecido aos 33 anos de idade. Luciana descobriu que tinha câncer pulmonar quando estava no quarto mês de gravidez. O bebê (Helena) nasceu em fevereiro deste ano.

É impossível não se comover com a história de Luciana. Lendo o blog que ela e o marido mantinham, fico impressionada com a força de vontade e a fé que moveram os dois. Os posts dão a dimensão do quanto o câncer de Luciana era assustador (imagine não conseguir respirar) e da luta que eles travaram. É também muito comovente ver o quanto se amavam. São lindas essas palavras de Woltony (dentre tantas outras palavras lindas):
A outra coisa foi que, quando a Luciana estava indo dormir, a gente sentou junto na cama e ficamos bem abraçadinhos. Por mais que algum de nós tentasse falar alguma coisa, nada falava tanto quanto estarmos ali juntos, abraçados. Ela brincou comigo dizendo que se eu soubesse que ela ficaria doente, eu não teria casado com ela. O que me deixa muito feliz é que eu sei que mesmo que eu soubesse, eu não teria feito nada de diferente na minha vida e que todo dia eu peço a Deus que me ajude e que me ensine a ser um bom marido para ela. Ser chamado de marido da Luciana é um motivo de muito orgulho para mim. (Vivendo um dia de cada vez)
Retomando o que dizia no primeiro parágrafo, começou quando li a notícia. Senti um pesar muito grande, que não se compara ao daqueles que conheciam a Luciana. Mas outra coisa me inquietou de uma forma que fiquei pensando durante esses dias "quero escrever, quero escrever". Sei o que despertou isso. No post do Just breathe, a Lu, ao noticiar o falecimento de Luciana, reitera o que havia escrito dias antes por ocasião do seu aniversário e relembra que estarmos vivos é uma dádiva.

Isso poderia soar como truísmo, mas você já parou para ver se realmente celebra o fato de estar vivo? Como falei no post Estar bem, às vezes confundimos a noção de estar bem com a ausência de dor. Estar bem de verdade é vibrar com as coisas que nos dão prazer, é realmente ter vontade de viver. É não passar em brancas nuvens.

Não posso falar pela maioria, mas acho que ando me perdendo demais nas preocupações do cotidiano. Constatei isso quando, dois dias atrás, lembrei do post da Lu e me deu um ímpeto de viver, e bateu a vontade de pegar a mão do Márden, puxá-lo para fora da secretaria e subir até o topo do edifício em que trabalhamos para observar a paisagem urbana e o mar que a gente vê lá de cima. Mas o senso de obrigação preponderou, continuei colada na minha cadeira e tentei voltar para os meus precatórios.

Não é que devamos sair por aí ignorando horários de expediente ou matando aula. A questão é que essa vontade de viver, que deveria ser constante, é uma exceção na maioria das vezes. É tão exceção que se torna excepcional por ser tão rara. Penso que isso acontece porque nos preocupamos mais do que nos ocupamos em viver. Quer ver? Conte nos dedos quantas vezes você se preocupou hoje. Compare com os dedos que contam as vezes em que você se ocupou em viver. O que a matemática revelou? Para mim, ela revelou que preciso viver mais. Vez e outra, tenho consciência dos presentes que a vida me deu e sinto gratidão por eles. Falta ainda sentir gratidão pela própria vida.

E fazer sempre alguma coisa em reverência a ela.

domingo, 30 de maio de 2010

Tok Stok - tsk, tsk

Originariamente, tinha pensado em um post bem diferente para postar hoje. Eis que as circunstâncias me fazem falar do péssimo serviço que a Tok Stok me prestou neste sábado. Então, lá vai meu post-reclamação.

Havia comprado parte da minha mobília na Tok Stok e agendado o sábado dia 29/05 para recebê-la, com a observação de que a entrega deveria ser realizada a partir das 14h, único horário em que poderia estar no apartamento. O problema é que isso não foi comunicado à transportadora, e, às 13h30, recebo uma ligação me comunicando que, se não estivesse no local da entrega em dez minutos, deixariam os móveis na portaria (e olha que paguei mais caro para que eles entregassem e montassem a mobília).

Consegui chegar a tempo, mas só para descobrir que, de uma compra que abrangia mesa, cadeiras, rack, mesa de centro e mesa lateral, apenas me entregaram... as cadeiras! Liguei duas vezes para a loja, recebi a promessa de que veriam o que teria ocorrido e me telefonariam de volta - e nada. Nem uma ligaçãozinha. Apenas depois da terceira vez, quando falei de novo com a vendedora, tive a resposta de que a transportadora havia cometido um erro, e que os móveis já não chegariam mais no sábado.

Shame on you, Tok Stok.

p.s. pós-postagem: Hoje, 1 de junho, a Tok Stok entregou tudo direitinho.