sábado, 4 de setembro de 2010

Para não ter medo de renascer

Há mais de um ano, recebi do Aluízio um email com o texto abaixo. Imprimi-o para reler quando quisesse, mas perdi o papel no meio de tantos outros que guardo. Recentemente, enquanto fazia uma hiper-mega-triagem pelas tralhas que andei acumulando, encontrei-o. Nessas horas, até que é fácil acreditar em providência divina ou crer que a Existência trabalha em seu favor, porque parece que esse texto ressurgiu no exato momento em que precisava dele. Foi um alento todas as vezes em que senti medo por causa dessa nova etapa de vida que iniciei.

Diz-se que,
mesmo antes de um rio cair no oceano,
ele treme de medo.
Olha para trás,
para toda a jornada,
os cumes, as montanhas,
o longo caminho sinuoso
através das florestas,
através dos povoados,
e vê à sua frente
um oceano tão vasto
que entrar nele nada mais é
do que desaparecer para sempre.
Mas não há outra maneira.
O rio não pode voltar.
Ninguém pode voltar.
Voltar é impossível na existência.
Você pode apenas ir em frente.
O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.
E somente quando ele entra no oceano
é que o medo desaparece.
Porque, apenas então,
o rio saberá que não se trata
de desaparecer no oceano,
mas tornar-se oceano.
Por um lado é desaparecimento
e por outro lado é renascimento.

Osho

4 comentários:

Anônimo disse...

A ideia de retorno e ir adiante também me persegue, mas penso um pouco diferente quanto ao final do texto.

Não creio que o rio vire oceano, o rio vai ser eternamente o rio, ainda que dentro do oceano, ainda que misturado, ainda que dele à primeira vista seja indissociável.

É aquela discussão antiga dos filósofos sobre o amor-fusão. Platão, Aristófanes, quem mais falava sobre isso? Todos os filósofos da modernidade já se debruçaram em algum momento sobre isso.

Hoje corro distâncias de um amor-fusão. Não sou uma metade à procura de outra metade, não quero que minha incompletude seja preenchida pelo sentimento alheio.

Preciso de mim inteiro, ainda que incompleto, são coisas diferentes. Não quero amor assim, não quero amizade assim, não quero nem vizinho assim. Somos nós esse inteiro, e cada um com seu quintal pra varrer, flor lilás na varanda e roupa no varal. Sem que isso impeça ou impossibilite o encontro.

É que encontrar não é a mesma coisa que fundir. Compreende?

Essa idéia do amor fusão que eu estou falando vem de longe, de filósofos do passado. Lembro que Platão no “Banquete”, falava através do discurso de Aristófanes sobre isso.

Dizia ele que o macho nascera do Sol, a fêmea nascera da Terra, e uma espécie mista nascera da Lua. Os três com grandes poderes começaram a escalar o céu para desafiar os deuses. Zeus com muita raiva da ousadia, para puni-los, resolveu cortá-los ao meio. Separando assim definitivamente sua metade da outra.

A partir daí, cada um saiu em busca de sua outra metade, e a essa busca se atribuiu o nome de amor, e quando encontrado surge a felicidade. Esse é o chamado mito de Aristófanes, essa idéia de que o amor é o encontro de nossa outra metade.

No entanto, esse mito do amor-fusão não leva à felicidade, aí está o engano de Aristófanes e o engano de tantos que concordam com ele. O amor não é completude, mas incompletude, não é fusão, mas busca.

Lembre-se que para fazer amor é preciso de pelo menos duas pessoas, por isso que o sexo antes de abolir a solidão, a confirma !

Ihhh... acho que me prolonguei demais. É que seu blog e textos me fizeram pensar.

Voltarei.

V.

Abração,

Euclides Vega disse...

Gostei... lembra aquela poesia do faz-te ao largo... tentemos ser oceano, todos...

Raquel disse...

V.,

Seu comentário também me fez pensar.

Ah, adorei a letra da música no comentário anterior.

Muito grata pela visita.

:o)

b arrais disse...

Gostei do texto. :D