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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Quinze maneiras de lembrar o seu namorado a colocar o cinto de segurança


(Porque venho concluindo que old habits die hard...)

1. De forma tradicional: "Meu amor, você esqueceu o cinto de segurança."

2. De forma tradicional, mas sintética, graças ao contexto situacional: "Cinto!"

3. Tacitamente: "..." (apontando pro bichinho onde se afivela o cinto)

4. Semi-tacitamente: "Aham." (olhando significativamente pro bichinho onde se afivela o cinto)

5. Inovando no inglês: "Someone is seatbeltless..."

6. Apelando para a pedagogia (ensino através de exemplos): "Sabe aquela cicatriz do Harrison Ford? Acredita que foi porque ele tava dirigindo sem cinto, e, quando foi colocá-lo, bateu o carro?"

7. Fazendo-se de sonsa: "Ai que susto! Achei que a gente tivesse saído sem eu ter posto o cinto de segurança, mas tô com ele!"

8. Acolhendo a doutrina espírita: "Tu acha que, na encarnação passada, tu usava cinto de segurança?"

9. Relembrando a ideologia católica: "Sente culpa por não colocar cinto de segurança?"

10. Passeando pelo zen-budismo: "Medite o uso do cinto de segurança."

11. Valendo-se de artifícios evangélicos: "Se não puser o cinto de segurança, vai encontrar Jesus literalmente!"

12. Dando vazão à criança interior: "Eu tenhoooooo, você não tem-em!" (apontando pro meu cinto afivelado)

13. Mostrando-se tecnologicamente antenada: "Existe aplicativo pra avisar que a pessoa tá sem cinto de segurança?"

14. Ah, a velha e boa ironia: "Tão bom ver que tu já colocou o cinto de segurança."

15. Ah, o velho e bom sarcasmo: "Também quero um cinto de segurança transparente!"


Pronto! Missão ligeiramente quase cumprida. É que o Betoti tinha sugerido que eu escrevesse um livro chamado 1.001 formas de dizer que seu namorado está sem cinto. Infelizmente não tenho criatividade para tanto.

Por fim, não poderia deixar de postar a gravura abaixo:

Fonte: http://frutilau.com/20047/cinto-de-seguranca

Isso NÃO é uma sugestão, viu Beto Sales?


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Câncer, médicos e o propósito das coisas

Estou no hospital neste exato momento, à espera de quaisquer notícias da tia V. Tia V. foi diagnosticada com câncer de ovário no ano passado. Depois de sessões de quimioterapia e cirurgias bem sucedidas, achamos que havíamos vencido a guerra...

Não foi o caso. Por mais que uma recidiva fosse esperada (e eu nem sabia disso), o câncer voltou em bem menos tempo do que o normal. Foram apenas seis meses de uma trégua desconfiada. Dessa vez, o alvo foi o peritônio, e não se podia mais precisar a quantidade de sessões de quimio ou a viabilidade de uma cirurgia. Aparentemente, havíamos vencido somente uma batalha.

Aconteceu que uma determinada cirurgia foi possível. Desconhecia o risco e as consequências do procedimento até esta semana, quando vim ajudar a cuidar da tia V. Convivi com uma realidade braba. Tia V. sempre foi o pilar da família, e vê-la debilitada numa cama impressiona. Hoje, por causa de uma infecção, ela retornou para a UTI.

E conto o que aconteceu ontem. que ela havia apresentado febre na noite anterior, verificou que uns pontos estavam inflamados. Disse que retornaria para drená-los. Fui embora antes que ele voltasse. O problema foi que ele não voltou em tempo hábil. Quem tomou as rédeas foi o Dr. Marcelo Lopes, amigo de trabalho da tia V. Acionado pela tia J., ele veio em nosso auxílio e determinou a internação na UTI para debelar a infecção o quanto antes.

O que observei nesta semana me sugere que vários médicos estão se perdendo do propósito de sua profissão, especialmente os mais novos. Parece que se importam em se especializar ao máximo para ganhar o máximo. O marido da minha tia desembolsou mais de R$ 30.000,00 por essa cirurgia. A equipe do médico é excelente, ele foi competentíssimo durante o procedimento, mas falta algo. Falta entender o compromisso que ele assumiu com a preservação da vida. Falta humanização. Se esses profissionais escolheram medicina por vocação, esqueceram-se dela.

Escrevi este post inteiro no iPhone. Foi minha terapia de hoje.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Quem sou eu sem um vilão?


(porque ainda tenho apego à vitimização que me corrói, me fiz essa pergunta)

Quem sou eu sem um vilão?

Parece nem que existe alguém pra contar a história. E se eu não tivesse baixado a cabeça tantas vezes diante de tantas pessoas, quem eu seria? E se eu não amargo e carrego, quem eu sou? Resta o que quando só tem eu?

Resto eu, que ando com as próprias pernas. Manufaturo minha alegria. Levanto quando caio. Vida passa, e eu pego, que ela é minha. Dispo a capa e surpreendo. Tiro o peso sobre minha cabeça, desato a corda nos meus pés. Deixo fazer gol, porque não seguro mais bolas e solto as que agarrei. Rasgo a sabotagem, porque, dá licença, estou mais do que justificada na minha felicidade. Acho o poder que não enxergo. Ponho a criança pra dormir. Digo nãos sem culpa. Não manipulo; pulo um monte de bobagem.

Eu quebro. E sobra tanta coisa.

Eu reescrevo a história. Sem mocinha e sem vilões.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Um admirável mundo (nem tão) novo (assim)

Olha só: primeiro post do Reflexos escrito no meu mais novo smartphone! Entrei tarde nesse mundo, mas o faço com o fascínio de uma criança. Gente, isso é bom (e viciante) demais!

Cá estou eu no meu intervalo de almoço, sentada na minha mesa cativa, escrevendo no meu blog graças ao aplicativo do blogger. Muito massa.

Falando em aplicativos, estou me divertindo à beça com o ToonCamera, que permite transformar fotografias em desenhos.

P.s.: Por fim, agradeço mais uma vez ao meu Betotitoti lindo pelo presente que me deu e pelo segundo mundo que me apresenta. O primeiro foi o seu. E ele sim é novo e colorido e divertido e humano. Bjo bjo

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

As viagens de agosto

Sei que todo mundo diz que o tempo anda voando. Janeiro estava bem ali, e, mal a gente espera, setembro bate à porta.

Compartilhei desse sentimento até agosto.

Agosto se enlargueceu tanto que pareceu não ter fim. Sério. Era como se, em cada final de semana, coubessem mais sete dias.

É que, quando a gente viaja, parece que a gente acumula mais vida dentro de um ínterim. Quem já não experimentou a sensação? "Parece que a gente tá aqui há uma semana", quando só se passaram, na verdade, dois dias.

Agosto foi o mês das viagens. Iniciamos com Canoa Quebrada. Muito lindo o litoral leste. Parece que a natureza tem mais força por lá.

 

 


Então veio Natal, que eu tinha que conhecer o cunhado, a corujinha & CIA. :o)


E hoje a gente encerra o mês revisitando Lagoinha. A história dessa revisita até que é curta, mas não carece de contar aqui.


Sem falar que, no último final de semana de julho, estávamos em Sobral. Teve uma festa espetacular, teve a mulher do Washington no meio do caminho - digo, avenida -, teve uma turma pra lá de legal. Era o esquenta para o mês que vinha.


Aí repito e desenvolvo: com viagens a gente põe mais vida dentro da vida. Erros e desencontros viram histórias para contar. Acertos e encontros viram momentos para rememorar. A gente aprende um pouquinho de si e do outro em cada viagem. A gente cultiva e colhe.

A gente vive.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A princesa e os bichinhos de esgoto

Querido diário, 

Sinceramente, não sei o que está acontecendo com o pessoal lá da Vara. Só neste mês, vi dois processos despachados errado (e tive de corrigir os dois!), e outros localizados em escaninhos que não tinham nada a ver com a movimentação processual. Acho que o pessoal está muito desmotivado. Fico pensando no que falar com o S., porque alguma coisa deve ser feita para mudar a situação. 
Caso escrevesse diário, esse seria o texto de cerca de duas semanas atrás. Se ainda me encontrasse na adolescência, tudo o que é pano de fundo psicológico dessa passagem até que seria compreensível. No entanto, já carrego meus trinta anos nas costas, e o tempo que me separa da Ana Raquel adolescente não deu conta de me fazer diferente em um aspecto.

Percebi que, com essa visão da realidade, me coloquei na posição de A Única competente no meu ambiente de trabalho. Ao constatar os despachos inadequados, não repassei os processos para as pessoas que haviam se enganado; pelo contrário, corrigi os erros em silêncio. Desse modo, privei meus colegas, tão capazes quanto eu, da oportunidade de refazer sua análise e reparar o equívoco. Agi como se tudo estivesse nas minhas mãos.

O problema com essa postura foi evidenciado quando uma emoção que raramente sinto porque frequentemente a contenho chegou abalando as estruturas. Raiva. Muita raiva. Desmedida e desproporcional. Até quis colocar a culpa na TPM, mas não deu. A raiva estava ali, naquela dimensão desarrazoada, porque minha prepotência falava mais alto. Sentia que somente eu levava o trabalho a sério. Apenas eu  investia nele apesar da chatice da rotina. Senti muito além do que devia porque me senti muito além do que sou.

Subi num pedestal em alguma época da minha vida e esqueci de descer. Neste exato momento, minha dificuldade em delegar tarefas me vem à mente, e me pergunto quanto dela existe porque penso que somente eu dou conta do recado. Lembro de como assumia os trabalhos em grupo no colégio, de como distribuía meio pesarosa as tarefas entre os colegas, pensando que eu devia ser mesmo a mártir e fazer tudo sozinha pelos outros. Caraca. E cheguei a acreditar que não tinha questões de controle, rs.

Sabe o que é o bom nisso tudo? A vida é uma baita professora. Gostaria muito de aprender lições sem precisar que ela me ensinasse, mas isso raramente ocorre. No caso em particular, além de já estar lidando com a percepção do que se passava, aconteceu que EU errei feio também no trabalho. Então minha colega veio muito tranquila me mostrar o erro, e discutimos qual seria a solução. Simples assim. 

Por último, explico o título da postagem. No segundo ano do ensino médio, assistíamos a uma aula de História quando a professora fez uma pergunta. Bodejei a resposta. A professora, que devia ter curso de leitura labial, entendeu e pediu que eu falasse mais alto. Recusei sorrindo e sem graça. Ela perdeu a paciência e exclamou que não sabia quando eu ia perceber que não era uma princesinha, e o resto da sala, uns bichinhos de esgoto.

Pense numa sacada. Só vim entender quatorze anos depois. 

p.s.: O jeito como comecei esta postagem me lembou este post, que também remete à minha adolescência.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Nós não sabemos ter


Está em todo lugar. Depois de uma tentativa frustrada de relacionamento à distância, uma amiga reencontra, quase um ano depois, o rapaz que a rejeitou. Ela não está mais apaixonada, então evade as investidas súbitas dele. Em virtude disso, eles se desentendem. Ele vai embora para a cidade dele, mas gasta semanas enviando mensagens para minha amiga. Ela própria me escreve uma, dizendo mais ou menos assim: "Homem gosta de mulher ruim mesmo, viu? O fulano agora tá todo apaixonado."

Em outra oportunidade, conversando com uma conhecida, sou apresentada a uma faceta oposta. "Mulher não gosta de homem bonzinho demais," ela sentencia ao me relatar que tinha cansado de uma relação em que o namorado, morto de apaixonado, fazia o que ela queria. Ela terminou, curtiu a vida, mas descobriu  que era com quem ele que queria dividir o futuro. Casaram-se então.

Eis que leio este texto do Ivan Martins, que saiu na semana passada. Depois de descrever pequenos prazeres a dois, ele emenda:

A gente não aproveita o suficiente essas coisas, eu acho. Um tempo enorme do nosso convívio é gasto ralhando com o outro sobre que ele ou ela fez de errado, ou se queixando do que o mundo lá fora fez com cada um de nós. Outra parte imensa do nosso tempo é perdida em tristezas sem razão, em suspeitas sem fundamento, em angústias de origem desconhecida, em culpas que nos perseguem como assombrações sem solução. A gente não gasta tempo suficiente com o corpo do outro, com o coração doce do outro, com a mente inquieta e criativa do outro. A gente não aproveita o outro como poderia, eu acho.     Noites de Inverno, Ivan Martins, Revista Época, atualizado em 1/8/2012.

E aí chego numa conversa que tive com a Pessoa Inteligente há quase dois anos talvez. Porque atravessava outra crise de relacionamento, reclamei da natureza humana quando, injuriada com essa nossa necessidade de caos, perguntei a ela por que cargas d'água a gente precisa sentir Falta. Ela ponderou que o problema não era a Falta. Se parássemos para ver, a Falta move a humanidade. Por causa dEla, saímos do lugar para suprir o que não está lá. A questão naquele momento era outra. A questão é que as pessoas não possuem maturidade para manter o que têm.

A questão é que nós não sabemos ter.

Essa é a verdade por trás da crença popular de que a gente precisa perder para dar valor. Talvez esse pensamento até tenha cruzado sua mente ao ler o exemplo da minha amiga e da conhecida. É claro que há, nesses dois episódios, mais aspectos a ser considerados, como, por exemplo, as relações de poder que foram estabelecidas dentro do relacionamento amoroso dessas pessoas. Mas, lá no fundo, existe também esse problema, esse nosso defeito congênito (nas palavras da Pessoa Inteligente) de não sabermos ter. O carinha não soube ter minha amiga. A conhecida não soube ter o namorado. O carinha e a conhecida sucumbiram a inseguranças, dúvidas e insatisfações em vez de transcenderem a confusão mental e emocional e administrarem o que tinham.

Posso confessar uma coisa? Morro de medo de não saber ter. Morro de medo de desperdiçar uma coisa boa porque não soube administrar o que tinha. Minha estratégia é apreender, nos meus momentos de maior lucidez (que acontecem mesmo é no divã da minha psicanalista), tudo o que me é caro e querido e valoroso. Quando as tormentas chegam, isso me serve de bússola. Tenho a lembrança do que quero manter e vou atravessando a tempestade. Um dia, o céu se abre. Aí a gente curte o Sol que a gente tem.




p.s.: O título desta postagem é também uma adaptação do nome da obra de Marcelo Cândido, Eu não sei ter, editora Virgiliae. Comprei esse livro no ano passado, justamente por causa do título que levava. É uma incursão interessante ao universo masculino.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

O resultado do meu "se vira nos 30"


Todos se admiraram: "Trinta coisas inéditas em um dia é muita coisa!"

Era. Tanto que não deu, mas eu já desconfiava que seria assim.

Enfim, vamos ver a lista?

Trinta coisas inéditas para fazer no meu aniversário:

1. Fazer esta meditação. Para isso acordei 4h40 da matina e fui bater no aterro da Beira Mar.

2. Fazer trinta reverências (aquelas que a gente faz no Kyol Che) de frente para o mar. Decidi isso lá no aterro mesmo. Como não tinha proteção porque foi de improviso, ganhei de quebra uma esfoliação nos joelhos e cotovelos! Mas uma coisa bonitinha aconteceu. Quando sentei sobre os pés para fazer a última reverência, o mar avançou até onde eu estava. Era o convite para o próximo item.

3. Entrar no mar da praia do Ideal. Por sinal, apanhei foi muito das ondas, quase perdi o biquini, bebi água feito uma condenada (vai uma caixinha de Zentel aí?), mas foi bom. Realmente foi bom. Depois ainda peguei chuva enquanto caminhava para a casa dos meus pais, e foi melhor ainda.

4. Dizer "te amo" pro meu pai. Nunca fiz isso depois de adulta.

5. Dizer "te amo" pra minha mãe. Idem.

6. Dizer "te amo" pro meu irmão. Idem.

7. Fazer uma massagem relaxante. 

8. Fazer uma blusa com os dizeres "24 de abril. Hoje é dia do meu aniversário". 

9. Ter coragem de vestir a blusa. E vesti o dia todo, viu? Só tirei à noite para receber os amigos aqui em casa (e ainda coloquei de volta para tirar fotos, rs.)

10. Dar o transatlântico da Mariana Marques para a Pessoa Inteligente. 

11. Cobrar o meu transatlântico, meu fanzine e meu Enrolados da Pessoa Inteligente. Detalhe que ela já tinha me devolvido todos os itens exceto o DVD. Aparentemente completar trinta anos já interferiu na minha memória.

12. Almoçar na Casa de Moá

13. Ligar para a Lu. A Lu me conhece até pelo avesso, já que fizemos Básico e Avançado do Renascimento juntas e ainda um Kyol Che, mas eu nunca tinha telefonado pra ela. Beijo, Lu!

14. Usar batom vermelho. Foi sugestão da N. e topei o desafio.

15. Comprar um fogão. Finalmente!!! Mas confesso que enrolei. Isso aí eu fiz no dia 23, porque não queria voltar para o Centro no dia seguinte. 

16. Publicar um poema. Vide este post.

17. Fazer o segundo furo na orelha. Só porque agora sou balzaquiana não quer dizer que não posso fazer algo que todo mundo faz na adolescência. 

18. Comprar uma cesta de produtos Empório Body Store pra mim. E ainda ganhei outra de presente da V.!!

19. Impublicável. Mas fiz.

20. Fazer uma aula de dança de salão. Influenciada pelo G., resolvi tentar. Aprendi a base do bolero e dancei uma música. O instrutor se admirou da minha capacidade aqui e isso pagou o dia! ;o)  Depois tive de sair porque faltavam instrutores para as alunas regulares.

21. Distribuir trinta chocolates para pessoas desconhecidas. Coloquei um Sonho de Valsa dentro de um saquinho de lembrancinha com um texto explicando a situação. A experiência foi interessante. Houve quem me olhasse com medo, mas tive feedbacks bem positivos. Um abraço para a moça do elevador no Del Paseo, para o moço que gosta de Chico Buarque, para as meninas da Pague Menos, se vocês calharem de passar por aqui.

22. Agradecer à minha família pelo apoio incondicional. Também burlei um pouco nesse item: fiz isso no domingo, quando nos reunimos. 

E pronto, c'est fini. Ficaram de fora: 23. Tomar banho de sal grosso; 24. Fritar um ovo na casa da Bb.; 25. Ver o pôr do Sol no Zé do Mangue; 26. Pagar alguma coisa para um estranho; 27. Impublicável; 28. Impublicável; 29. Dar um certo presente para um certo amigo; 30. Fazer uma tatuagem. Ah, e as reverências no aterro substituíram o item "lançar ao mar uma garrafa com uma mensagem".

Vou confessar: houve momentos difíceis na execução dessa lista. O maior aprendizado que tirei foi que ainda dou muita (mas muita mesmo) importância ao que os outros pensam. Houve um instante em que consegui superar isso, e foi um sentimento muito libertador, mas infelizmente se tornou somente um vislumbre de como a vida pode ser bem mais feliz sem a tirania do olhar do outro.

Encerrei o dia na companhia dos meus amigos, e foi muito bom. Pode até ser contado como algo inédito: eu nunca havia comemorado meu aniversário no meu apartamento. Também nunca tinha cortado um bolo com uma faca de pão (ainda descubro que não tenho certas coisas aqui em casa: espátula de bolo é uma delas), nunca tinha dançado bolero ou forró com o G., nunca tinha recebido a G., a P. ou o S. aqui em casa...

E é isso. Beijo para todos que fizeram meu dia mais feliz.


E nem doeu, rs.

Essa sou eu trinta anos atrás. :o)

Completei TRINTA ANOS. O dia foi interessante, rs. Tinha assumido um compromisso de postar o resultado da minha experiência em fazer trinta coisas inéditas, mas vai ficar para mais tarde, que hoje estou morta. Veja a hora desta postagem, tenha em mente que acordei às 4h40 da manhã do dia 24, e você entenderá a razão.

Não consegui fazer trinta coisas inéditas, não as da lista pelo menos. Meus amigos vieram aqui para casa e a gente brincou de ineditismos. Depois faço a contabilidade para ver se atingimos a meta. :o)

Ainda falta responder muitas mensagens no Facebook. Agradeço já o carinho de todos.  Prometo que também faço mais tarde.

Beijo pra todos.

domingo, 22 de abril de 2012

Um desabafo e o pedido de aniversário


Já falei para uns três amigos: estou sem rumo. Sinto falta de uma felicidade que, não sei por que motivo, sumiu há pouco mais de um mês. Encontrei-a desde então em momentos fugazes e durante a maior parte da viagem, mas ainda assim sinto falta, principalmente depois que voltei. Então me sento toda pesarosa para escrever e desabafar no computador e percebo que.. não estou mal!

Diabéisso, má?

Vai ver que... não dizem que, antes da data do seu aniversário, você passa por um inferno astral? Vai ver que este é o meu: esta indefinição (que detesto indefinições).

E aí isso me lembra um assunto sobre o qual quero conversar. Nesta terça-feira, esta que vem agorinha, faço trinta anos. Porque neste ano vou ter uma folga no trabalho, porque em regra fico triste nos meus aniversários, porque enfim são os TRINTA ANOS e eles me incomodam, resolvi que ia adotar o conselho que dei à amiga K. e vou fazer trinta coisas inéditas no 24 de abril para preencher o dia. A lista ainda se encontra em estágio de elaboração: tenho dezoito itens, mas desconfio que não conseguirei executar dois. Muitos deles envolvem uma ligeira pagação de mico, porque acho importantíssimo eu aprender a não me levar a sério. Outros exigem um confrontamento, e já agora tenho medo de como vou me sentir depois, mas sei que o medo psicológico indica exatamente o caminho que tenho de percorrer. Um deles é uma pequenina mudança irreversível, mas até que estou ansiosa por ela. E outros acontecerão na companhia das pessoas em minha vida, porque ainda bem que conto com elas para fazer o dia valer a pena.

Como a lista ainda não está completa, vocês podem me ajudar? Enviem quaisquer sugestões por email, Facebook, telefone. Se quiserem dividir um momento do dia comigo, me liguem que estarei em trânsito, circulando por Fortaleza. Decidi que não vou decidir o dia, exceto por certas atividades que requerem hora marcada. O resto vai ser se der, como der. O resultado será postado aqui no dia 25. :o)


Beijo pra todos.


quinta-feira, 29 de março de 2012

Sobre saber e mudar


Há uma discussão recorrente entre meus amigos. Perguntam se uma pessoa menos consciente de suas falhas e condicionamentos é mais feliz do que nós, que frequentamos divãs. Há verdade na máxima Ignorance is bliss?, a gente se indaga ligeiramente em desespero por enxergar tanto e mudar tão pouco. Porque entre saber e mudar há um abismo. Capacidade de mudança, um conceito que ficou na minha cabeça a partir de uma observação do Henrique neste post, parece não ser da competência de qualquer um.

Gostei da resposta da amiga Bb para a pergunta que nos inquieta. Se não formos mais felizes, pelo menos estamos mais próximos de chegar a algum lugar. Ela tem Fé: acredita que nascemos com um propósito. Sentir a dor que acompanha a consciência de qualquer padrão ainda não transcendido nos conduz para esse propósito, ainda que não o atinjamos nesta vida. Por mais que não compre a crença da reencarnação, gosto da ideia de que as coisas tenham um sentido, e de que elas conspirem para que alcancemos nosso objetivo de vida.

Ouço esses questionamentos e penso que, ainda que nos machuque olhar para dentro com tanta frequência, o conhecimento que adquirimos com essa atividade nos permite experienciar melhor a potencialidade de nossas vidas. Esse fato aumenta nossas chances de buscar uma felicidade verdadeira. Não preciso do exemplo de ninguém mais do que eu mesma para embasar essa afirmação. Antes de 2007, eu raramente dirigia, nunca viajava, e saía com minhas tias sob a crença de que me dava melhor com adultos do que com pessoas da minha idade. Que eu estabelecia uma relação simbiótica de dependência com elas - eu preciso de vocês e vocês precisam que eu precise de vocês - isso vai sem eu dizer. Sabe o que era engraçado? Possivelmente eu me achava feliz. Aliás, o mais provável é que eu sequer me questionasse se era feliz.

Dois eventos em junho de 2007 relacionados com as minhas tias (vejam só a ironia) me levaram a procurar uma psicanalista. No momento de dor perante minha incapacidade, decidi que não podia continuar a mesma. Hoje, muitos me dizem que mudei bastante. Isso é verdade, por mais que ainda exista algo em mim que me impeça de comemorar esse fato merecidamente. Comprei um carro, saí da casa dos meus pais, tive um relacionamento relativamente duradouro, aumentei consideravelmente meu círculo de amizades, viajo para dentro e fora do Brasil sozinha ou acompanhada. Provavelmente só consegui tudo isso porque antes enxerguei onde havia entraves. Sou mais feliz? Ouso dizer que sim. Por mais que ainda haja muito a ser transformado, por mais que eu sofra em me ver inerte em tantas áreas, por mais que eu pense demais (como minhas amigas me acusam, rs), a expansão que criei me oferece mais possibilidades de ter momentos felizes.

Acredito que a gente muda. A gente nem percebe, mas muda. Acho que é porque, se entre saber e mudar há um abismo, essa transformação deve mesmo ser um salto. Não há transições: em um dado momento você funciona diferente perante uma mesma situação e pronto. Há algumas semanas, experienciei isso e guardo a lembrança como prova. Tudo em mim caminhava para uma repetição, toda minha energia convergia para me esconder dentro da redoma. Eis que, no caminho de dizer o previsível não, disse um sim, sem saber por quê, sem me convencer para tanto. E conheci uma outra realidade, e foi um bom aprendizado. A experiência se encerrou naquele episódio mesmo, mas ficou a lição: é possível. É possível saltar do saber para o mudar.

E aí? Bora pular?

:o)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Coragem de estar um ou estar dois

"Porque ficar sozinho é pra quem tem coragem"

A frase era um post no Facebook de uma colega de faculdade. Pelos comentários, intuí que a atualização deveria ser resultado de alguma conversa entre amigas. Daí prestei atenção nas aspas, procurei no Google e vi que era letra de música. Perdoem minha pouca cultura musical.

O fato é que o enunciado em questão, descontextualizado como estava, me chamou um pensamento imediato. Duvidei da coragem de quem está sozinho. Lembrei que, na verdade, há muitos que assim estão porque não venceram seus medos e jamais enxergam isso. É que medo se traveste de tanta coisa... Às vezes, ele vem como um bom gosto apurado: "não é qualquer um que satisfaz meu controle de qualidade." Mentira. Você só está é com medo de dar a cara a tapa. Outras vezes, o medo surge como uma rotina frenética de compromissos: "não tenho tempo para isso agora por causa do doutorado." Outra farsa. Você não quer arriscar encontrar alguém, porque ele não vai satisfazer seu controle de qualidade, e vai ser perda do tempo que você já não tem.

Já estive nesse exato lugar. Talvez nem tenha saído dele totalmente. Descobri recentemente que minha zona de conforto é estar sozinha. Assim a vida segue bem mais fácil. Como sempre permito a vontade do outro ofuscar a minha, viver sozinha tem gosto de liberdade porque há bem menos concessões. Sem falar que some aquele medo de puxarem meu tapete, porque não há mais tapete sob meus pés. É tudo inaptidão minha, eu sei. Mas está aí por enquanto, e por enquanto lido com ela, buscando derrotá-la.

Por outro lado, o convívio com amigos me mostra que a zona de conforto de outras pessoas é estar acompanhado. Há quem não saiba ficar só. Sobre esse oposto, não sei discorrer muito, porque não o vivencio. Penso, no entanto, que essas pessoas correm o risco de fazer más escolhas. E, como bem disse o Ivan Martins neste texto, as consequências dessas escolhas podem ser irreversíveis.

No fim, a conclusão a que minha cabeça chegou depois de ter dado algumas voltas em torno daquela frase é a de que é preciso ter coragem para estar sozinho ou acompanhado. A questão é saber o que se quer de verdade; decidir, sem ter o medo como motivo, de que formato nossa vida pode ser neste momento. Vida de solteiro e vida a dois são apenas diferentes, por mais que já esteja incutido em nossa cabeça que a felicidade só se encontra em par. E, peloamordedeus, não faço aqui apologia alguma à solteirice, que tenho pavor dessas coisas. Mas chamo atenção para o que a Pessoa Inteligente me disse certa vez: a única bandeira que as pessoas deveriam levantar era a da felicidade.

E foi sem aspas a frase acima porque vez e outra entendo torto a Pessoa Inteligente e não quero responsabilizá-la por essa, rs.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Ninguém merece o morno


Faz tempo que penso na tênue linha que une os opostos. Há meses que percebo que os extremos andam de mãos dadas. Começou, na verdade, quando vi os efeitos da quimioterapia a que minha tia se submeteu. Causava-lhe mais dor justamente aquilo que podia curá-la (tia V. não sentia náuseas, mas dores por todo o corpo que nenhuma medicação aliviava). Daí a fazer generalizações para o momento que eu vivia foi bem simples. A verdade que mais machuca é a que mais liberta. O maior não que a gente recebe pode ser o maior sim para nossa vida. Perdas e ganhos.

Na verdade, essa ideia não é nada nova. Não foi Sócrates quem disse que, se a democracia era capaz de fazer o maior bem, estaria também apta a executar o maior mal? Caso não tenha sido ele, desculpem a falha de memória, porque já vão anos desde que tive aulas de filosofia. Seja como for, é interessante perceber essa relação: numa balança, um prato só sobe ao máximo quando escolhemos o peso que leva o outro mais rente à base.

Não é que tenhamos de viver de opostos, mas me parece que precisamos ter coragem de bancar os extremos. Viver é uma relação de dor e prazer. Como a tendência mais saudável do ser humano é não ser masoquista, o prazer é o nosso objetivo. Ocorre que, no momento em que nos arriscamos a buscá-lo, fazemos exatamente isso: arriscamos. Pode ser que o resultado de nossa busca seja a dor. Pode ser que não. Mas um ou outro só foi encontrado porque uma escolha foi feita e um risco foi assumido.

Não se desafiar é uma forma de não bancar extremos, mas também é quase vegetar. A vida fica muito cômoda, e por isso muito limitada. Uma potencialidade deixa de ser explorada. E todos perdem com isso. Perde a pessoa que não se descobre, perdem as pessoas que a rodeiam.

Nessas horas, quando penso o que há de vida para ser vivida, dá vontade de sair rasgando com unhas e dentes muita coisa à minha frente. Destruir para construir. Sentir o incômodo de sair da zona de conforto para colher o que de melhor me é reservado. Encarar os altos e baixos, que isso é vida, que pulsa, que não espera, que pede que a gente saia na chuva para se molhar, que a gente aceite o frio para conhecer o quente.

Porque, afinal, o morno ninguém merece.