quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Osho fala de coragem

Recebi esta mensagem por email hoje:

A palavra coragem é muito interessante. Ela vem da raiz latina cor, que significa "coração". Portanto, ser corajoso significa viver com o coração. E os fracos, somente os fracos, vivem com a cabeça; receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas – com teologia, conceitos, palavras, teorias – e do lado de dentro dessas portas e janelas, eles se escondem.

O caminho do coração é o caminho da coragem. É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido. É deixar o passado para trás e deixar o futuro ser. Coragem é seguir trilhas perigosas. A vida é perigosa. E só os covardes podem evitar o perigo – mas aí já estão mortos. A pessoa que está viva, realmente viva, sempre enfrentará o desconhecido. O perigo está presente, mas ela assumirá o risco. O coração está sempre pronto para enfrentar riscos; o coração é um jogador. A cabeça é um homem de negócios. Ela sempre calcula – ela é astuta. O coração nunca calcula nada.


Só para incentivar a sair da zona de conforto. :o)

O texto é do Osho. Mais em http://www.osho.org.br/.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Sherlock Holmes

Este post contém um leve spoiler.


Devo confessar. Quando vi o trailer de Sherlock Holmes no Galera_D, pensei logo "Esse não é o Sherlock Holmes de que me lembro" e fiquei meio desconfiada desse filme. Em regra, não tenho problema com adaptações de livros para o cinema porque nunca guardo a expectativa de que o filme seja "fiel" ao livro, mas, no caso de Sherlock Holmes, tudo parecia infiel demais: explosões, brigas e um detetive mulherengo.

No final das contas, minha desconfiança era prematura, desnecessária e até arrogante. Em primeiro lugar, não havia lido histórias suficientes de Conan Doyle para saber quem era Sherlock Holmes de fato. Aliás, nem a memória me ajudava nesse aspecto, porque foi durante o início da adolescência que li um livro de contos protagonizado pelo detetive. Em segundo lugar, trailers são elaborados para atrair público (com exceção de Eragon, alguém já viu filme parecer ruim em trailer?). Sendo assim, é claro que haveria explosões e mulheres, mas isso não significa, obviamente, que o longa se resume a isso. Em terceiro lugar, ainda presumi errado que havia mulheres na vida de Holmes; há apenas Irene Adler.

Graças à resenha de Isabela Boscov na Veja, entendi como deveria assistir a esse filme. A crítica de cinema explica que o consta lá é uma desconstrução da personagem de Sherlock Holmes. Por mais que não saiba o que isso verdadeiramente implica (quando desconstruo uma personagem, com que finalidade o faço? O que retenho dela para identificá-la como tal?), isso me deu a liberdade de ir ao cinema sem esperar ver o Sherlock Holmes dos livros.

Foi bem mais divertido assim. Posso dizer que é um filme de ação que realmente possui enredo. Quando lia romances policiais (Agatha Christie, na grande maioria), ficava ligeiramente frustrada depois que o detetive desvendava e explicava o mistério. Pensava algo como "Com que diabos eu ia adivinhar que aquilo era uma pista?" No longa, fiquei feliz quando Holmes desvelou tudo e tirou o matiz paranormal do mistério. Essa era a única coisa que me importunava: a possibilidade de que o vilão de fato lidasse com forças paranormais.

Posso igualmente afirmar que é um filme de ação verdadeiramente engraçado, e o humor funciona por ser inteligente e irônico. E quem diria? Adorei ver as cenas de luta, principalmente assistir aos golpes analiticamente calculados de Holmes.

Por fim, gostei da dinâmica entre Holmes e Watson. Lembro que as histórias de Conan Doyle me davam a impressão de que Holmes era um tanto condescendente (ou simplesmente chato) com Watson. No longa, vi o apreço que tinham um pelo outro e o prazer que sentiam em trabalhar juntos, como um time. Se isso é fruto da tal desconstrução da personagem, que continuem desconstruindo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A importância de ressignificar


Anos atrás, o colega R. M. me falava de Kant dentro da salinha de um projeto de extensão de que fazíamos parte na faculdade.

"Aí, pra Kant, é como se víssemos o mundo através de uma lente. Tudo depende da lente com a qual vemos o mundo. Já pensou? Se uso uma lente cor-de-rosa, vejo o mundo assim, cor-de-rosa. Troco por uma lente azul, e vejo o mundo diferente."

De que cor serão as minhas lentes?

Mais importante, quando vou trocá-las?

E essa pergunta surge, porque, faz um tempinho, queria escrever sobre a importância de ressignificar nossas crenças e os acontecimentos de nossas vidas.

Começo com os meus fracassos.

Demorou um ano e várias sessões de análise, mas um dia finalmente entendi que, porque uma experiência não terminou com o êxito que almejava, ela não deve ser descartada. A razão para tanto é bem simples: sou o que sou neste momento graças àquela experiência. Aquele evento faz parte de mim, e o futuro à minha frente ganha algumas possibilidades mais em virtude do que conheci com aquela experiência.

O grande problema é o fardo que o insucesso adiciona a essa experiência, peso que não deveria existir. Há uma crença fortíssima em nossa sociedade que vincula felicidade a obter o que se quer ou a acertar - sim, porque cometer erros é um suplício para mim e acredito que para a maioria também. Particularmente, com isso perco a perspectiva das coisas, perco a noção do que realmente importa, esqueço que é sempre melhor buscar se enriquecer com o que acontece, esqueço que é mais salutar ser grata pelo que vivi.

É nesse sentido que importa ressignificar. Há tantos, tantos padrões e formas pré-concebidas de encarar situações que causam sofrimento desnecessário. Permeiam nossa educação familiar e escolar, nossos ambientes de lazer e de trabalho, nossas leituras e passatempos multimidiáticos. Imprimem em nossas mentes a necessidade do sucesso, propagam a meta de se conseguir tudo de primeira, disseminam o dever de ser o melhor de todos. E engolimos tudo isso. É impressionante como não sabemos lidar com frustrações, mas, ao mesmo tempo, continuamos criando e perpetuando interpretações e modos de ver as coisas que só ensejam exatamente isso: frustração. De certa forma, que seres masoquistas nós somos!

Falta-nos olhar os acontecimentos de nossas vidas com outras lentes, desta vez lentes que não foram coloridas por esses padrões e formas pré-concebidas. Ouvi em algum lugar, acho que em um DVD do Eckhart Toller, que não existem erros, mas experiências. Isso é ressignificar. É colocar entre aspas o "fracassos" que escrevi ali em cima. A vida fica tão mais simples assim.

Para mim, o desafio maior é ser uma pessoa que ressignifica. Digo isso porque é comum me sentir chateada quando as coisas não dão certo. Aí tento dar o passo seguinte e entender que essa chateação só tem lugar em um contexto antigo, quando ainda interpretava fracassos como fracassos sem aspas. Se dissesse que consigo melhorar só com isso, estaria mentindo. Mas quero acreditar que, um dia, não precisarei seguir passos: estarei tão centrada, tão certa do que a vida é, que naturalmente aceitarei os "fracassos" como parte dela. Sem sofrimento. Com gratidão.

Porque aí já terei ressignificado de verdade.

Já estarei usando minhas novas lentes multicoloridas. :o)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Chegou a hora de apagar a velinha...

Um ano de Reflexos!!

Obrigada aos amigos que sempre dão uma passadinha por aqui. Beijo e abraço para todos vocês.


p.s.
Soube, pelo comentário no post anterior, que hoje também é aniversário do graaaaaande O Cara da Locadora. Parabéns, Nespoli e Miojo!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

inominado

Amanhã o Reflexos completa um aninho! Para comemorar, tinha imaginado redigir um megametapost fazendo referências a tudo o que foi escrito aqui, identificar e rir das palavras e expressões que acabo usando demais (e.g. "vale a pena"), citar os comentários mais divertidos ou inteligentes que recebi... Seria também uma forma de refletir sobre o ano que passou e contar coisas que não compartilhei.

Mas eis que uma virose chata me pegou, e não tenho disposição para ficar em frente do computador por muito tempo.

Vai ver que isso foi bom. Talvez estivesse prestes a cometer um ato inconsciente de narcisismo. Afinal, quem fica lendo e relendo as coisas que escreve (a não ser que seja para revisar e editar)?

Então me restou olhar os marcadores aí do lado e constatar resignadamente que li poucos livros em 2008. O marcador para esse assunto tem quatro míseros posts. Está certo que não "resenhei" os quatro da saga Crepúsculo, mas é incrível como não se tem muito para falar acerca deles. Para não esnobar agora uma série que me empolgou no passado, digo que devorei os quatro livros um atrás do outro, intrigada com o que poderia ser o desfecho do "drama". No fim, só pensei "Valha, que mulher (Stephenie Meyer, a autora) pra inventar coisa."

Por outro lado, o marcador filmes está em segundo lugar no número de postagens. Falta admitir que assisti a muitos outros que não comentei aqui. Aliás, aqui vai um agradecimento (em vão, já que ele não vai ler) ao Pablo Villaça do Cinema em Cena. Até descobrir as resenhas dele, suava para falar de um "filme" porque o único sinônimo de que me lembrava para essa palavra era "película", que, convenhamos, soa pedante num blog como este aqui. Aí vem o Pablo com o simples "longa", que introduzi no meu vocabulário ativo de novo. E ainda soa descolado ;o).

O marcador campeão é o me, myself and I. Nele registrei todas as reflexões, reminiscências, desabafos e tudo o que só tinha a ver comigo. Como são muitas postagens, resolvi reler somente meu primeiro post neste blog e vi como tudo que disse ali continua verdade. Depende de mim crescer, ter outro ano novo, viver. Acrescento a isso a descoberta do valor que a palavra escolha tem. No meu contexto de vida, a distância entre permanecer inerte e agir está em uma escolha minha. Para sair da esfera em que sou espectadora para aquela em que sou sujeito da minha própria vida é necessário somente um passo. Basta que eu escolha dá-lo. Tudo é uma escolha minha.

Bom, tudo exceto a virose. :o)

Até amanhã.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Avatar


Enquanto estudava História no colégio, vez e outra me pegava pensando nos meros mortais que testemunharam aqueles eventos. Perguntava se eles haviam percebido que presenciavam algo que seria recontado por anos. Será que quem parou para ver Maria Antonieta ser decapitada se deu conta de que aquele fato entraria para a História?

Foi daí que veio uma sensação de incredulidade quando assisti ao incidente do World Trade Center em 11 de setembro de 2001. Além do choque natural de ver uma tragédia daquela proporção, naquele momento eu era um dos meros mortais que testemunhava um acontecimento histórico. A propósito, agora me lembro da queda do muro de Berlim e de meu pai falando "É bom guardar essa data. Isso aí vai entrar pros livros de História."

No dia 19 deste mês, presenciei outro fato histórico, mas esse não vai constar nos livros didáticos comuns. E ainda bem que há espaço em nossos registros para coisas outras que não decapitações e desmoronamentos de torres e muros. Ainda bem que somos igualmente capazes de construir. Ainda bem que o poder de criação pode se perpetuar de várias formas, inclusive em um filme.

Avatar é um marco. Basta ler qualquer matéria sobre a nova obra de James Cameron para perceber isso. Aliás, simplesmente assistir ao longa é suficiente para se compreender a inovação que o filme representa.

Cameron criou um mundo novo, e esse realmente é admirável. A invenção de uma nova fauna e flora (que é algo realmente nunca visto), ou a constituição meticulosa do planeta Pandora, onde vivem os Na'vi, é um feito memorável. São paisagens e imagens belíssimas, que impressionam mais ainda por serem geradas por computador. É por isso que falo em poder de criação. É prova do potencial que temos para fazer o bem quando constatamos a capacidade do homem em criar coisas tão belas.

Outro mérito do filme é a perfeita integração entre o virtual e o real. O mundo novo de Cameron se expande para além de Pandora e engloba um mundo fílmico em que a computação gráfica não destoa mais da realidade, e tudo é um todo sem cortes ou costuras.

Efeitos especiais à parte, Avatar mostra conteúdo. Há mensagens políticas, mas são secundárias para mim, que sou reconhecidamente apolítica. Em vez de paralelos com o imperialismo americano, foi mais marcante ver como os Na'vi compreendem que todos provêm de uma Unidade, e como tal consciência se revela no respeito que demonstram a todas as criaturas, a eles próprios e ao mundo em que habitam. Não são melhores ou piores do que animais e plantas; são iguais, e, conforme Neyriti explica, enquanto vivem no mundo físico, apenas tomam emprestada a energia que nutre o Todo, depois devolvendo-a ao morrer. A conexão dos Na'vi com os animais permite-lhes que os bichos sejam extensão de seu corpo, atendendo à sua vontade através de palavras ditas ou pensadas. Nesse ponto, os humanos do filme tornam-se uma pálida paródia dos nativos de Pandora, porque sua conexão somente se dá com máquinas gigantescas, acionadas pelos movimentos de seus usuários.

A própria concepção dos avatares levanta a questão de como somos mais do que o corpo físico. Simplificadamente, isso se reflete na ideia de transportar mente, crenças e sentimentos de um corpo humano para outro produzido em laboratório. Há um quê em nós maior do que a soma de sinapses e reações químicas. Estamos lá. Somos esse quê.

Pela data deste post, Avatar é o último filme que comento neste ano. Acho que não poderia fechar de melhor forma. Não deixem as filas dos cinemas os desanimarem. O longa vale o esforço.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Retornando à blogosfera...

Foi preciso o amigo ICL me avisar: um mês sem atualizações!

Enquanto costuro ideias para um texto postável, mostro apenas um dos motivos por que o blog está meio parado. Estava ensaiando para minha primeira apresentação de flamenco. Olha a prova aí embaixo (todas as imagens são de Alex Hermes):









A apresentação ocorreu no dia 8 deste mês. Sucesso de público e de crítica, dizendo-se, de passagem, que público e crítica eram nossos familiares e amigos. ;o)

Check it out!