quinta-feira, 29 de abril de 2010

Um único post para abril de 2010

Abril acaba amanhã, e o Reflexos tem apenas este post para o presente mês que se vai. Ô abril atribulado... Provas de francês (para as quais ler o Le Petit Prince era requisito), prova de teoria musical (amanhã), provas na vida real (nas quais ando falhando), altos e baixos (havia esquecido que existiam), vacina contra a H1N1 (uma noite de moleza como consequência), aniversário pacífico (no dia 24), imposto de renda (sempre protelo) e um apartamento para consertar e habitar (mais difícil do que imaginava - dado que ainda não estou lá).

Neste mês, assisti a dois filmes no cinema: Simplesmente Complicado e Alice no País das Maravilhas. O primeiro me pareceu uma tentativa de afagar o ego de ex-esposas com mais de quarenta anos, mas pode ser que eu não estivesse no clima para comédia... Meryl Streep é sempre um presente para os olhos, mas Alec Baldwin estava igual ao seu personagem em 30 Rock - tanto que eu nem o levava a sério quando ele falava sério.

Alice... Bom, esse aí eu tenho de ver antes de escrever qualquer coisa. É que dormi durante quase toda a projeção. Não é que o filme fosse chato; é que era a sessão de 22h de uma sexta feira e, como disse, este mês foi atribulado.

Que maio seja mais tranquilo.

E que eu esteja mais centrada, inspirada e proativa.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Como treinar o seu dragão


Começo transcrevendo um trecho da resenha de Isabela Boscov (Veja):

"... o menino Soluço, magrinho e meio medroso, é um fracasso como viking e uma decepção para seu pai, o chefe do clã. Nunca vai ser um caçador de dragões. E matar dragões é o que de mais essencial se pode fazer na ilha de Berk, assolada por ferocíssimos cuspidores de fogo. Uma coincidência, um momento de compaixão e a curiosidade típica da idade o colocam em um caminho diferente. Soluço vai se transformar, em segredo, em um domador de dragões."

Fiz questão de iniciar com a sinopse de Isabela porque, em um momento de tensão entre Soluço e seu pai (Estoico), lembrei de um vídeo em que Osho dizia - e ressalvo que estas não são suas exatas palavras - que os filhos sempre decepcionarão os pais, porque não cumprirão as metas que seus progenitores lhes traçaram. Diz Osho que nem Jesus Cristo conseguiu evitar isso. Provavelmente José esperava que seu filho se tornasse carpinteiro como ele, mas lá estava Cristo a doutrinar sobre o Reino de Deus.

No caso de Como treinar o seu dragão, acho que o conflito ultrapassa a relação pai e filho. Não era só Estoico que esperava ver Soluço se tornar um caçador de dragões; toda a comunidade nutria a mesma expectativa. O senso comum dos habitantes de Berk dizia que esse era o destino dos jovens da ilha.

A beleza do longa está em mostrar que nem sempre o que a maioria prega é o melhor para você. O melhor para você é aquilo que se quer quando se está livre de condicionamentos ditados pela vaidade, pela necessidade de aceitação pelo grupo, pela insegurança. O melhor para você é aquilo que lhe é verdadeiro, e é claro que raramente alguma "sabedoria convencional" contém o que lhe é autêntico em uma instância tão íntima. Então por que mesmo fazer o que todos fazem?

Ainda bem que Soluço decide ser fiel a si. Aí a aventura começa.

E que aventura.

Gostei muito dos gráficos e da história do filme (baseado, eu não sabia, na obra homônima de Cressida Cowell). A DreamWorks deu uma de Pixar. Por mais que Shrek, Kung Fu Panda e Madagascar me agradem, sempre achei as animações da DreamWorks um pouquinho banais. Como treinar... virou exceção. Adorei o filme.

E o Banguela.

terça-feira, 30 de março de 2010

Ainda não tenho caçapete

Criança é muito fofa mesmo, né?

Um dia desses estava lembrando das pérolas do meu irmão Rafael do tempo em que era criança. Aquela de que me recordo com frequência é a do sabonete. Um dia, papai chegou com as compras do supermercado e começou a retirá-las das sacolas, colocando os itens em cima da mesa. Aí o Rafa se aproximou, pegou um sabonete Protex Balance, leu a embalagem e, intrigado, perguntou:

- Ué, balance? Por quê?

Enquanto sacudia o sabonete de um lado para outro, e eu me acabava de rir da cena.

Agora me vêm à mente outras pérolas que ouvi por aí. Adoro as astutas e inusitadas observações que criança faz, considerações que somente são possíveis porque criança olha o mundo com olhos novos, olhos de quem acabou de chegar aqui.

É o caso da minha amigona P. Ela conta que, quando mais nova, pediu à mãe que lhe comprasse um novo bumbum. É que o dela estava quebrado, já que havia uma enorme rachadura no meio.

Criança tem dessas grandes sacadas, tiradas que são geniais justamente porque tão inocentes. A amiga K. tinha no celular um papel de parede em que uma figura divina aparecia envolta por raios de luz. Certa vez, especulava com suas duas sobrinhas, B. (oito anos) e M. (quatro anos), do que se tratava aquela imagem. A K. perguntou:

- Vocês acham que é Deus?

A B. arriscou:

- Pode ser Jesus Cristo. Ou o Espírito Santo.

E então a M. lançou sua hipótese:

- Ah, vai ver é o Amém.

Hoje em dia coleciono as perguntas, palavras e atos da L., filha da amiga Bb., que é a criança mais próxima do meu convívio atualmente. A L. tem três anos, e adoro vê-la crescer. Mal falava há algum tempo, e agora já se afirma, questiona, conclui e tenta entender o que lhe dizem.

Ontem mesmo a Bb. contou que, na hora de rezar antes de dormir, quis ensinar à L. o que é Deus:

- L., Deus é uma energia boa. É uma sensação gostosa dentro do coração.

A L., que escutava atenta, perguntou prontamente:

- Eu comi ele?

Outro dia, Márden, L. e eu conversávamos sobre bicicletas, coisa que ela adora. Ganhou uma do avô no ano passado e já anda direitinho nela, de capacete e tudo. Márden perguntou "Sabia, L., que a tia Quel ainda não tem capacete? O que você diz disso?" E ela falou algo que não consegui entender, mas só ouvi o Márden rindo e repetindo "caçapete". A Bb. diz que acha tão lindo que nem corrige e ainda fala caçapete também.

Criança é muito fofa mesmo, né?

domingo, 28 de março de 2010

O que têm os armários?


Hoje revisitei o apartamento onde morei de 1991 a 1998. Na realidade, já é quarta vez em três semanas que passo lá. Está desocupado, meio decaído, muito empoeirado.

Entrei no quarto que costumava ser meu e do meu irmão. Como minha analista advertiu que brevemente trabalharemos minhas lembranças do tempo em que residi lá, tentei observar o que recordava ou sentia ao estar ali. Não veio muita coisa. Lembrei de novo a irritação que sentia em tentar estudar enquanto os filhos da vizinha escutavam forró nas alturas. Lembrei o lugar onde ficavam minha penteadeira e as duas camas, separadas por um criado mudo.

Daí abri o armário.

Realmente parei para observá-lo.

E senti alguma coisa. E foi alguma coisa ruim, que ainda não sei o que é.

Mais tarde, pensando sobre o que tinha acontecido, me dei conta de que armários estão presentes em nossa cultura como depositários, na minha opinião, meio sombrios. A primeira expressão de que me lembrei foi a skeleton in the closet/cupboard, tão literalmente traduzida por aí como um esqueleto no armário, e que significa ter segredos, sobretudo se embaraçosos. Depois me ocorreu que temos, em português, o tal sair do armário, que se aplica aos homossexuais que assumiram abertamente sua orientação sexual. Pelo menos nesses dois casos, o armário deve ser um lugar bem desagradável. No primeiro, guarda algo de que se tem vergonha. No segundo, é um espaço de repressão e medo de aceitar-se.

O que têm os armários, que comportam grandes segredos e lembranças encobertas? Por que os escolhemos para essa tarefa? Porque são grandes o suficiente? Porque os baús entraram em desuso?

Fico aqui me perguntando...

Agora me ocorre que, quando recebo visitas, a bagunça permanente que é meu quarto se disfarça graças ao armário, que, de uma vez só, recebe tudo que estava jogado na cama e na cadeira há um tempinho. Nesse momento, o armário guarda um segredo meu: sou desorganizada.

Só não consigo até agora desvendar o que aquele armário do apartamento guarda. Lembranças encobertas ainda.

Afinal, o que têm os armários?

terça-feira, 9 de março de 2010

Agora a bailarina tem

Este foi mais ou menos o diálogo que tive com o Márden, meu amorzinho, quando falava de uma letra do Chico Buarque:

Eu disse:

- Ah, lembrei de outra parte da música:

"Confessando bem todo mundo faz pecado
depois (sic) que a missa termina
Todo mundo tem um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem"

Ele se compadeceu:

- Coitada da bailarina.

Então expliquei por que a bailarina não tem:

- Também pudera. Ela é toda perfeitinha. Não vive, não arrisca.

(Para saber como a bailarina é, ver a letra aqui.)

Gosto de pensar que não sou mais essa bailarina. Utilizando umas metáforas presentes nas minhas sessões de análise, vou dizer que comecei a deixar de ser essa bailarina quando saí da redoma e abri mão do elusivo (porque inexistente) manual "Leia-me que te ensinarei a viver sem dor".

É claro que ainda tenho muito em que progredir. Ainda dá nó na garganta quando caio da bicicleta (occupational hazzard de quem quer acompanhar o namorado ciclista), e a vontade de chorar surge não por causa da dor, mas porque - droga, como é que eu caio! Ainda fico pê da vida quando o meu chefe sugere uma estratégia melhor do que a minha porque - droga, como é que eu não pensei nisso antes? E ainda tenho vergonha de não saber fazer um procedimento no banco ou de desconhecer os passos de uma compra de apartamento porque - droga, como é que eu não sei disso?!

Pois é. Mas permanece o fato de que mudanças estão ocorrendo, e eu, eu que era tão avessa a elas, agora as acolho. Agora a bailarina tem.

E aproveito o ensejo para mostrar a Ciranda da Bailarina na voz do Chico Buarque:



Minha versão favorita é a da Adriana Partimpim (Adriana Calcanhoto para crianças), que não consegui incorporar no post, mas vocês podem conferir em http://www.youtube.com/watch?v=zlY9q2Ctz746.

Deixo ainda registrado que, na minha opinião, a Sandy assassinou a música quando cantou assim:
http://www.youtube.com/watch?v=Ey_tBkYp9ik. "CreolinaAAAA"! Credo.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Workshop de Renascimento na água neste fim de semana em Fortaleza

Último aviso:

O Clube de Renascimento de Fortaleza está promovendo um workshop de Renascimento na água no Osheanic neste final de semana (dias 5, 6 e 7 de março). Até ontem, só restavam quatro vagas.

Contatos: Gustavo (9921-9797), Mairta (9619-3050) e Ricardo (8821-2870).

Workshop em Renascimento

Falei do Treinamento Básico em Renascimento aí embaixo, mas esqueci de divulgar a oficina que vai ocorrer aqui em Fortaleza:

Workshop em Renascimento
Dias 23, 24 e 25 de abril
Comfort Hotel
Contatos: Gustavo (9921-9797), Mairta (9619-3050) e Ricardo (8821-2870)

Há sempre uma palestra da Ramyata, a terapeuta responsável, na noite anterior ao início do workshop. Quem tiver dúvidas, pode aparecer lá no Comfort Hotel sem compromisso algum. No dia 23, uma sexta feira, as atividades são somente à noite. Nos dias 24 e 25, sábado e domingo, o trabalho começa pela manhã e termina à tardinha, com intervalo folgado para a hora do almoço.

Oficina e Treinamento são eventos independentes, então você pode escolher fazer os dois (foi o que fiz), um ou outro, os dois e inscrever-se no workshop de novo (foi o que o amigo H. fez e faz).

E podem confiar que vale muito a pena.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Treinamento Básico em Renascimento


Infelizmente não consegui deixar legível o folder que recebi (clicando-se na imagem, é possível ler o texto), mas o recado está dado: o Treinamento Básico em Renascimento deste semestre vai ocorrer em Fortaleza, nos dias 8 a 23 de maio. O evento acontecerá no Osheanic.

Já participei desse treinamento em 2008 e do Avançado em 2009, e recomendo muito esse trabalho. Se você sentir que é o momento certo, invista sem medo. A equipe é formada pelos profissionais mais amorosos que já conheci, os lugares escolhidos para o treinamento são lindos, e as atividades são brilhantemente articuladas entre si.

Para saber mais sobre Renascimento, ver o post Renascimento aqui no Reflexos, e o site Osho Centro de Renascimento.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Osho fala de coragem

Recebi esta mensagem por email hoje:

A palavra coragem é muito interessante. Ela vem da raiz latina cor, que significa "coração". Portanto, ser corajoso significa viver com o coração. E os fracos, somente os fracos, vivem com a cabeça; receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas – com teologia, conceitos, palavras, teorias – e do lado de dentro dessas portas e janelas, eles se escondem.

O caminho do coração é o caminho da coragem. É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido. É deixar o passado para trás e deixar o futuro ser. Coragem é seguir trilhas perigosas. A vida é perigosa. E só os covardes podem evitar o perigo – mas aí já estão mortos. A pessoa que está viva, realmente viva, sempre enfrentará o desconhecido. O perigo está presente, mas ela assumirá o risco. O coração está sempre pronto para enfrentar riscos; o coração é um jogador. A cabeça é um homem de negócios. Ela sempre calcula – ela é astuta. O coração nunca calcula nada.


Só para incentivar a sair da zona de conforto. :o)

O texto é do Osho. Mais em http://www.osho.org.br/.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Sherlock Holmes

Este post contém um leve spoiler.


Devo confessar. Quando vi o trailer de Sherlock Holmes no Galera_D, pensei logo "Esse não é o Sherlock Holmes de que me lembro" e fiquei meio desconfiada desse filme. Em regra, não tenho problema com adaptações de livros para o cinema porque nunca guardo a expectativa de que o filme seja "fiel" ao livro, mas, no caso de Sherlock Holmes, tudo parecia infiel demais: explosões, brigas e um detetive mulherengo.

No final das contas, minha desconfiança era prematura, desnecessária e até arrogante. Em primeiro lugar, não havia lido histórias suficientes de Conan Doyle para saber quem era Sherlock Holmes de fato. Aliás, nem a memória me ajudava nesse aspecto, porque foi durante o início da adolescência que li um livro de contos protagonizado pelo detetive. Em segundo lugar, trailers são elaborados para atrair público (com exceção de Eragon, alguém já viu filme parecer ruim em trailer?). Sendo assim, é claro que haveria explosões e mulheres, mas isso não significa, obviamente, que o longa se resume a isso. Em terceiro lugar, ainda presumi errado que havia mulheres na vida de Holmes; há apenas Irene Adler.

Graças à resenha de Isabela Boscov na Veja, entendi como deveria assistir a esse filme. A crítica de cinema explica que o consta lá é uma desconstrução da personagem de Sherlock Holmes. Por mais que não saiba o que isso verdadeiramente implica (quando desconstruo uma personagem, com que finalidade o faço? O que retenho dela para identificá-la como tal?), isso me deu a liberdade de ir ao cinema sem esperar ver o Sherlock Holmes dos livros.

Foi bem mais divertido assim. Posso dizer que é um filme de ação que realmente possui enredo. Quando lia romances policiais (Agatha Christie, na grande maioria), ficava ligeiramente frustrada depois que o detetive desvendava e explicava o mistério. Pensava algo como "Com que diabos eu ia adivinhar que aquilo era uma pista?" No longa, fiquei feliz quando Holmes desvelou tudo e tirou o matiz paranormal do mistério. Essa era a única coisa que me importunava: a possibilidade de que o vilão de fato lidasse com forças paranormais.

Posso igualmente afirmar que é um filme de ação verdadeiramente engraçado, e o humor funciona por ser inteligente e irônico. E quem diria? Adorei ver as cenas de luta, principalmente assistir aos golpes analiticamente calculados de Holmes.

Por fim, gostei da dinâmica entre Holmes e Watson. Lembro que as histórias de Conan Doyle me davam a impressão de que Holmes era um tanto condescendente (ou simplesmente chato) com Watson. No longa, vi o apreço que tinham um pelo outro e o prazer que sentiam em trabalhar juntos, como um time. Se isso é fruto da tal desconstrução da personagem, que continuem desconstruindo.