terça-feira, 30 de março de 2010

Ainda não tenho caçapete

Criança é muito fofa mesmo, né?

Um dia desses estava lembrando das pérolas do meu irmão Rafael do tempo em que era criança. Aquela de que me recordo com frequência é a do sabonete. Um dia, papai chegou com as compras do supermercado e começou a retirá-las das sacolas, colocando os itens em cima da mesa. Aí o Rafa se aproximou, pegou um sabonete Protex Balance, leu a embalagem e, intrigado, perguntou:

- Ué, balance? Por quê?

Enquanto sacudia o sabonete de um lado para outro, e eu me acabava de rir da cena.

Agora me vêm à mente outras pérolas que ouvi por aí. Adoro as astutas e inusitadas observações que criança faz, considerações que somente são possíveis porque criança olha o mundo com olhos novos, olhos de quem acabou de chegar aqui.

É o caso da minha amigona P. Ela conta que, quando mais nova, pediu à mãe que lhe comprasse um novo bumbum. É que o dela estava quebrado, já que havia uma enorme rachadura no meio.

Criança tem dessas grandes sacadas, tiradas que são geniais justamente porque tão inocentes. A amiga K. tinha no celular um papel de parede em que uma figura divina aparecia envolta por raios de luz. Certa vez, especulava com suas duas sobrinhas, B. (oito anos) e M. (quatro anos), do que se tratava aquela imagem. A K. perguntou:

- Vocês acham que é Deus?

A B. arriscou:

- Pode ser Jesus Cristo. Ou o Espírito Santo.

E então a M. lançou sua hipótese:

- Ah, vai ver é o Amém.

Hoje em dia coleciono as perguntas, palavras e atos da L., filha da amiga Bb., que é a criança mais próxima do meu convívio atualmente. A L. tem três anos, e adoro vê-la crescer. Mal falava há algum tempo, e agora já se afirma, questiona, conclui e tenta entender o que lhe dizem.

Ontem mesmo a Bb. contou que, na hora de rezar antes de dormir, quis ensinar à L. o que é Deus:

- L., Deus é uma energia boa. É uma sensação gostosa dentro do coração.

A L., que escutava atenta, perguntou prontamente:

- Eu comi ele?

Outro dia, Márden, L. e eu conversávamos sobre bicicletas, coisa que ela adora. Ganhou uma do avô no ano passado e já anda direitinho nela, de capacete e tudo. Márden perguntou "Sabia, L., que a tia Quel ainda não tem capacete? O que você diz disso?" E ela falou algo que não consegui entender, mas só ouvi o Márden rindo e repetindo "caçapete". A Bb. diz que acha tão lindo que nem corrige e ainda fala caçapete também.

Criança é muito fofa mesmo, né?

2 comentários:

Márcia Denardi disse...

Raquel, me acabei de rir com as histórias engraçadas desses anjinhos. Tenho uma bebê de um ano e sete meses, e cada dia que passa ela fica mais linda. Aprendeu esta semana a falar borboleta, que na linguagem dela sai "bubuleta"... É a coisa mais gostosa do mundo! Também está repetindo os números, que contávamos em seus dedinhos... Daí ela fala "tês, cato, cinco"... As crianças permitem que aprendamos coisas divinas, sem que no demos conta disso. Amo crianças e amo minha filha mais do que tudo. Parabéns. Adorei seu texto!! Beijos

Márden disse...

Quel, o que a L. disse foi: "Tia Quel (espantadíssima)! Tu ainda não tem um caçapete!?

Foi muito engraçado.
Beijo