terça-feira, 1 de junho de 2010

Aconteceu na vida real - Proposta Indecente

Sempre tive vontade de criar um espaço no blog para recontar causos da vida real. O único probleminha é que, até o presente momento, só me lembro de um episódio que vale a pena ser contado. De qualquer forma, como hoje senti vontade de escrever, e como justamente hoje não surgiu ideia alguma, resolvi relatar o caso do Sr. L e a proposta indecente que recebeu.

O Sr. L era um desses senhores bem distintos. Conduzia sua vida regradamente, conciliando família e trabalho, muito trabalho. Coincidiu que o Sr. L também era um desses senhores bem agradáveis, que ganham a simpatia da gente assim de graça, ó. Trocando em miúdos, o Sr. L seria um partidão se não fosse casado.

Pois bem. O Sr. L, dentre os muitos títulos que detinha, era ainda professor de uma renomada universidade. Uma vez, ao sair da sala de aula, foi abordado por uma aluna:

- Professor, com licença.

E ele, que era solícito, perguntou e se dispôs:

- Pois não?

A aluna estendeu a mão e, conduzindo-o pelo braço, levou-o a um lugar mais reservado. Com um tom mais reservado ainda, foi explicando:

- É que eu queria lhe pedir um favorzinho.

O Sr. L bem que devia ter desconfiado. Mas, como disse, era solícito, e era desses senhores distintos e agradáveis. Então ele continuou ouvindo.

- Eu queria pedir que o senhor fosse o pai do meu filho.

Foi nesse momento que o Sr. L estancou:

- ... (Porque, convenhamos, é impossível dizer alguma coisa de imediato para um pedido desses.)

A moça aproveitou o silêncio e expôs seus motivos:

- É que quero muito ter um filho. E o senhor preenche todos os requisitos para ser um bom pai. Quero dizer, geneticamente, sabe? O senhor é muito inteligente, tem saúde. Eu já não sou tão nova e queria realizar esse sonho. Cansei de romance, de frustração. Cansei de procurar o par ideal. Agora quero só o pai ideal. E é o senhor.

O Sr. L gentilmente lembrou a moça de um detalhe que fazia toda a diferença:

- Minha senhora, sou um homem casado, pai de família.

Como resposta, a aluna pormenorizou o
modus operandis da realização de seu projeto:

- Não, não, não, mas eu só quero mesmo que o senhor seja o pai. Faremos uma inseminação artificial. Sem problema.

Aí não havia mais jeito. O Sr. L, que também tinha muito bom senso, foi firme:

- Minha senhora, sinto muito, mas isso é um absurdo. A resposta é não.

O pior foi que ela ainda insistiu. Entretando, diante da recusa inexorável do Sr. L, recuou e retirou-se chateada.

Anos se passaram sem que o Sr. L reencontrasse a aluna. Até imagino o Sr. L contando essa história entre amigos, acreditando que ela já estava terminada. Mal sabia ele...

Um dia, quis o destino (e um sinal vermelho) que o carro do Sr. L parasse do lado de outro veículo na rua. Nesse tempo, ainda se rodava de vidros baixos na cidade. O Sr. L ouviu um psiu tão insistente que se virou para o outro carro para ver quem o interpelava.

- Psiu!

Era a tal aluna. Quando confirmou que tinha a atenção do Sr. L, a mulher apontou para o banco de trás do automóvel que dirigia. Os olhos do Sr. L acompanharam o movimento e descobriram um garotinho sentadinho bem quietinho, que o olhava também sem entender. Então a aluna disse, com o gosto de quem executa uma vingança:

- Poderia ter sido seu.

E saiu morta de satisfeita, deixando o Sr. L sem palavras:

- ...

Acreditem, isso realmente aconteceu. Não com essas exatas palavras, pois usei da famosa licença poética, mas conheço um senhor que realmente recebeu essa proposta e, anos mais tarde, foi esnobado ao conhecer o rebento que perdera a oportunidade de gerar.

A propósito, se calhar de um dia o Sr. L passar por aqui, um grande abraço para o senhor.

:o)

4 comentários:

Euclides Vega disse...

Genial....

b arrais disse...

Também achei genial! Hehehehe!

Garota D disse...

Não duvido nada... homem de qualidades está tão difícil hoje em dia que algumas pessoas tem que apelar...

Luciana disse...

Hoje tirei o dia para reler os posts "Aconteceu na vida real". Muito bons!!