domingo, 8 de agosto de 2010
Só para vocês terem uma ideia de como é lá
A foto é de 2008, mas nada mudou muito. Com exceção da quantidade de processos, que está relativamente menor, meu ambiente de trabalho é este aqui:
Pena que eu não tenha uma foto do balcão...
:o)
p.s.: Minha mesa é essa desorganização mesmo. Não é culpa da JF, não; eu que ainda não aprendi a não acumular processos na mesa enquanto os encaminho.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Aconteceu na vida real - A pergunta inusitada no balcão da Justiça Federal
Trabalho em uma secretaria de vara da Justiça Federal. Lá correm vários processos. Pode acontecer que, se você tiver um processo na Justiça Federal, ele esteja em minhas mãos. Às vezes, você pode se impacientar com a famosa morosidade do Judiciário e comparecer lá na vara, querendo que, por favor, agilizem seu processo. Outras vezes, você só quer entender seu processo sem estar na companhia do seu advogado (em quem afinal você não confia mesmo). Aí você também pinta lá na vara.É, dessa vez, a história aconteceu comigo. Assim mesmo, tintim por tintim.
Para atender você e tantas outras pessoas, temos "o balcão". "O balcão" é mesmo só um balcão, uma bancada com tampo de mármore preto, com janelas de vidro que abrimos para sinalizar que o atendimento ao jurisdicionado (que é mais uma palavra bonita que inventaram para quem espera o Judiciário) está em funcionamento. "O balcão" teve seu sentido ampliado para designar também o dia em que cada servidor está responsável por atender as pessoas que buscam informações. "Fulano está no balcão" significa que hoje aquele servidor descascará todos os abacaxis ou pepinos relacionados ao atendimento ao público.
Um dia, estava no balcão. Devo confessar que não me encontrava de bom humor. O trabalho cansa um pouco, porque, como às vezes tenho de falar com pessoas que não possuem formação em Direito, fico procurando formas de explicar que tornem aquele processo compreensível para elas.
Nesse dia, estava esperando por esclarecimentos meus um senhor miudinho de talvez quarenta anos. Parecia o que se costuma chamar "pessoa humilde". O jeito ansioso com que ele me olhou me deixou um pouco apreensiva. Será que esse vai dar trabalho?, perguntei aos meus botões. Depois constatei que ele só era, em bom cearês, muito agoniado.
Abri o volumoso processo. Tentei entender o que aquele senhor me perguntava para poder dirimir suas dúvidas. Folheei e folheei, compreendi em que pé a ação estava, explanei:
- Olhe, infelizmente não é só o senhor que está pedindo aqui para ficar no processo no lugar do seu pai, já que ele faleceu. Tá vendo essa outra pessoa aqui? Isso, essa Filirmina Feitosa dos Santos. Não, não, ela não está querendo o seu dinheiro, ela quer também substituir o pai dela, que faleceu, e receber o crédito que é devido a ele. O dinheiro devido ao pai do senhor é outra coisa... Não, não se preocupe, é outra coisa... Pois bem, é preciso, o Código exige, que o INSS tenha vista desse pedido dela aqui. É por isso que vamos mandar o processo para lá. Depois, quando ele voltar, o juiz despacha o seu pedido e o dela.
O tal senhor não só era agoniado como precisava de muitas confirmações. Repeti a mesma explicação mais três vezes. Finalmente ele sorriu, agradeceu, e respondi "de nada", já me preparando para levar o processo de volta. Mas eis que ele me interpelou:
- Posso fazer só mais uma pergunta?
Senti um desânimo. Ainda não acabou? Depois de dizer quatro vezes a mesma coisa?
- Pois não.
Então ele se afastou do balcão, me deu as costas, e, olhando por cima dos ombros, enquanto puxava sua camisa, perguntou:
- Eu tô cagado?
Minha reação eloquente a uma indagação dessas foi:
- Hã?
Ele repetiu:
- Eu tô cagado?
Ah, então as coisas se resumem a isso, pensei. Eu, Ana Raquel Montenegro Assunção, graduada em Direito e Letras e pós-graduada em Linguística, ex-professora de inglês e agora técnico judiciário da Justiça Federal, eu, no exercício de minhas funções junto ao Judiciário, estou sendo indagada em pleno balcão se o cidadão que se encontra na minha frente borrou suas calças.
Relutantemente, baixei o olhar para a área que ele apontava. Respondi ainda hesitante, porque enfim não queria de fato aferir a situação daquele senhor, mas, por outro lado, se ele realmente estivesse cagado e não soubesse, era bom avisá-lo:
- Não.
Ele suspirou aliviado.
- Ufa!
E emendou:
- É que, quando vim no elevador, o pessoal tava me olhando meio estranho, e pensei, "puxa vida, será que tô cagado?"
Sorri sem graça, peguei o processo que iria para o INSS, e assegurei-lhe:
- Não, não está.
Ele saiu todo serelepe. Só então comecei a rir.
:o)
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Fechem os olhos

Foi o que o professor de teoria musical nos disse ontem na aula, para que pudéssemos nos concentrar melhor nas notas.
Zapt. Fechei os olhos, assim ó, rapidinho, sem reservas e sem medo. Me diverti com minha prontidão.
Por quê?, você pode perguntar. Por que conseguir fechar os olhos é uma coisa digna de nota?
Porque estávamos em um lugar público. Porque eu sempre tive dificuldade em fechar os olhos em lugar público. Batia um receio de que tivesse entendido errado, e aí só eu estaria com as pálpebras cerradas, pagando mico. Dava vontade de espiar para ver se estava todo mundo mesmo de olhos fechados. Sem falar que me achava levemente ridícula.
O evento de ontem se encaixa com a vontade que senti de escrever um post sobre quem eu era e sobre quem sou. Essa ideia me ocorreu ainda no Kyol Che, no entanto, como um dos princípios desse trabalho é não se perder no mundo dos pensamentos, deixei para lá. Quando voltei ao mundo aqui fora, com acesso a celular e internet, encontrei no meu Orkut um recado de um amigo do tempo de colégio, dizendo que dois outros amigos me procuravam no twitter e que ele havia passado o endereço do meu blog para eles.
Me perguntei se meus amigos estranhariam o que encontraram aqui. A Ana Raquel fazendo retiro de meditação? Fazendo Renascimento?
Houve um tempo em que descartei tudo o que abraço hoje. O engraçado é que nem me lembro mais como era. Só sei que não fazia parte dos meus hábitos meditar, acreditar que há uma Unicidade subjacente em nós e em tudo que existe, parar para sentir a manifestação das emoções no meu corpo.
Mas sabe o que é mais engraçado? Não disse que tinha pensado em escrever um post sobre quem eu era e quem eu sou? O engraçado é que esses "eu era" e "eu sou" não correspondem a quem sou de verdade, porque quem sou de verdade (minha essência) nunca mudou nem mudará. Esses "eu era" e "eu sou" constituem apenas ideias que construí sobre mim mesma, ideias que minha mente edificou para formar uma identidade, mas que, na verdade, são somente a soma de conceitos que só existem na dimensão mental. O problema de todos nós é que confundimos esse "eu" mental (ego - em um conceito que suponho ser diferente do da psicanálise) com quem realmente somos.
Quer ver? Pergunte-se a si mesmo quem você é. Se você disser seu nome, você não respondeu quem é, você só disse seu nome. Se você disser eu sou professor, sou advogado, você estatui sua profissão, e isso ainda não é você*. Se você se sair com sou pai, sou mãe, sou filho, você está relatando papéis que representa em relação a outras pessoas. Se você falar sou uma pessoa rancorosa, sou uma pessoa amorosa, você está repetindo conceitos de si mesmo, que provavelmente foram criados a partir da forma como você lida com as coisas no mundo, mas ainda sim são só conceitos.
Faça esse exercício. Vá dizendo tudo o que a mente lhe diz quando você se pergunta quem você é. Leve o tempo que levar. Quando você não encontrar mais nada a não ser um vazio, um silêncio na cabeça, por incrível que pareça, você terá encontrado quem você é. Quem nós somos de verdade não é exprimível em palavras. Quem somos de verdade apenas é.
Tudo isso pode parecer meio viagem, mas basta começar a praticar e a experienciar isso que as coisas parecem fazer sentido. O grande segredo é se desidentificar com todos esses pensamentos que mentem sobre quem você é ou com a "história de você mesmo" que seu ego criou. A resposta é fechar os olhos para essas autoimagens.
Viram?
Fechem os olhos.
---------
*Essa explicação pode ser vista em um DVD chamado From Science to God, de Peter Russel.
domingo, 1 de agosto de 2010
Fim do namoro
Aí resolvi me entregar e deixar pra lá, principalmente quando vi que o próprio Márden não tinha essa reserva. Na verdade, quem estava errada era eu. Meu medo de exposição estava atuando e impedindo de fazer algo que era natural.
Só que o namoro acabou. Apagar fotos no Orkut foi relativamente simples, mas aqui... aqui estanquei. Não achei que devia deixar as coisas como estão, porque isso não dá o real retrato da situação, e lidar com a realidade é a única solução para qualquer problema. Daí pensei em editar os posts. Pensei em apagá-los.
Mas percebi uma coisa.
Olhei de relance os posts em que menciono meu ex-namorado. Eles não parecem rir de mim. Eles só contam uma história. Como tudo acaba, essa história também terminou. Assim, decidi escrever este post para sinalizar esse fim aqui no Reflexos.
Agora resta a nós dois virar a página.
Mais uma vez.
Sempre.
Impermanência e inevitabilidade
Tudo é impermanente, tudo acaba. É inevitável.
Então por que resistir?
sábado, 31 de julho de 2010
Retornei do Kyol Che
Retornei.Foram quatorze dias de retiro, doze dos quais passados em silêncio. Por incrível que pareça, ficar sem falar é a parte fácil; mais difícil é silenciar dentro da cabeça. Esse foi meu maior desafio toda vez que sentava para meditar.
Então aprendi que o importante não é silenciar, mas evitar pegar carona nos pensamentos e viajar na maionese. A questão é conseguir se desindentificar do pensamento, apenas observá-lo como quem percebe um fato, e deixá-lo ir. Não adianta brigar com a mente para ela calar a boca - isso só desgasta, e o meu primeiro dia foi cansativo justamente porque tentei lutar. No segundo dia, a pessoa que nos orientava deu a dica: relaxe. E as coisas melhoraram. O ruído mental não diminuiu, mas deixou de me afetar tanto. Houve momentos em que experimentei um silêncio profundo. Ocorreram instantes em que sentia paz e contentamento tais que um raio de sol me emocionou, o calor da lareira me fez sorrir, e a Mata Atlântica pareceu minha irmã.
Retornei para mim mesma.
É incrível como me permito me perder em meio às preocupações, como esqueço que a resposta está o tempo todo aqui agora, no aqui e agora. Só existe este momento. Passado e futuro, apego ao passado e apreensão pelo futuro, isso é criação nossa para nos atormentarmos. Deixando isso de lado, a gente experimenta a vida de verdade.
Para quem quiser saber mais, essa experiência trata-se do retiro Kyol Che, sob coordenação de Samvara Bodewig. Ocorreu no período de 17 a 30 de julho, no Morgenlicht, em Nova Friburgo, Rio de Janeiro.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Tia Quel, isso é um dócolis!
Grupo Uirapuru no Theatro José de Alencar
O Grupo Uirapuru convida a todos(as) a participarem da gravação do nosso 1° DVD ao vivo, que será realizada
no dia 20 de julho às 20h00 no palco principal do Theatro José de Alencar.
Rua Liberato Barroso, 525- Centro – Fortaleza/CE
Informações: 85 8831.5441/3082.6311
email: contatos@grupouirapuru.com.br
Entrada Franca
Vocês podem saber mais pelo Galera_D. Destaque para o fato de que o grupo fabrica seus próprios instrumentos.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Everybody's Changing
A versão ao vivo sempre me arrepia.
Recomendo cantar a plenos pulmões. :o)
Everybody's Changing
Keane
You say you wander your own land
But when I think about it
I don't see how you canYou're aching, you're breaking
And I can see the pain in your eyes
Says everybody's changing
And I don't know why(Chorus)
So little time, try to understand that I'm
Trying to make a move just to stay in the game
I try to stay awake and remember my name
But everybody's changing and I don't feel the sameYou're gone from here
(Chorus Twice)
Soon you will disappear
Fading into beautiful light
'Cause everybody's changing
And I don't feel right
So little time, try to understand that I'm
Trying to make a move just to stay in the game
I try to stay awake and remember my name
But everybody's changing and I don't feel the same
segunda-feira, 12 de julho de 2010
"Eu me divirto" ou "Quando Pablo Villaça detona a saga Crepúsculo"
Okay, reconheço. Li os quatro livros - os dois últimos antes mesmo que saíssem em português.Okay, confesso. Assisti aos três filmes no cinema - e olha que já havia visto o primeiro em casa, graças à internet.
Okay, admito. Sei que a saga (seja em livro, seja em filme) não é lá essas coisas - ou não é nada, afinal de contas.
Mas permanece o fato de que me divirto muito com as resenhas do Pablo Villaça sobre os três longas até então lançados, baseados nas obras homônimas de Stephenie Meyer.
Sobre Crespúsculo (mais aqui), minhas tiradas favoritas são:
Enquanto isso, os Cullen percorrem os corredores e a cantina do colégio olhando de baixo para cima, ameaçadores, sem que ninguém jamais questione a palidez cadavérica de toda a família (ou talvez todos percebam se tratar de uma maquiagem incrivelmente artificial que não se preocupa sequer em cobrir direito os pescoços e membros dos tais vampiros).
(...) assim que Edward é visto pela primeira vez com sua pele pálida, as sobrancelhas cuidadosamente desenhadas, os lábios destacados por batom e o cabelo milimetricamente despenteado (ele deve passar horas diante do espelho, despenteando o cabelo. Ainda bem que, como imortal, tem todo o tempo do mundo.).Em relação a Lua Nova (mais aqui), ele escreveu sobre lesmas, hulks e grilos falantes:
"Ora, o segredo de uma obra do gênero é relativamente simples: estabelecer um casal que inspire a torcida e a simpatia do espectador, mas Meyer (e a roteirista Melissa Rosenberg) tortura o público com duas figuras desinteressantes e aborrecidas cujo único atrativo dramático reside no fato da mocinha estar sempre prestes a ser destruída pelo mocinho. Mas nem isso é o bastante; se fosse, alguém já teria lançado um filme chamado A Lesma e o Potinho de Sal."
"Depois de um incidente que leva o sujeito a temer pela segurança da amada, Edward e sua família abandonam o lugarejo, deixando Bella em profundo estado de depressão. Por sorte, ela acaba se aproximando de Jacob (Lautner), mas as coisas voltam a se complicar quando a moça descobre que o rapaz é um lobisomem - ou, considerando que ele se transforma sempre que fica nervoso, um lobishulk."
"Dividida, ela (Bella) passa a se entregar a atividades cada vez mais perigosas mesmo sendo advertida por Edward (que surge numa espécie de visão ou delírio, como um Grilo Falante fantasmagórico) sobre a importância de tomar conta de si mesma."
"Considerando o talento de Bella para atrair pares românticos bizarros, mal posso esperar para chegar ao quarto filme da série, quando ela provavelmente já estará sendo disputada não apenas pelo vampiro Edward e pelo lobishulk Jacob, mas também pela Criatura de Frankenstein, pelo Monstro do Pântano e por Freddy Krueger. A esta altura, as fãs da “saga” Crepúsculo certamente estarão ainda mais comovidas com a natureza sofrida da garota, enxergando-a como uma romântica inveterada.
Já eu consigo ver apenas uma aborrecida lesma suicida."
Na resenha para Eclipse (mais aqui), ele não perdoa, e sobra até para José Serra:
E, com isso, ficamos presos à traminha babaca e juvenil concebida por Meyer, que, jamais abandonando a superficialidade, insiste em chamar de “saga” uma narrativa prosaica durante a qual nada parece acontecer mesmo depois de três episódios.
Bella, aliás, permanece um mistério: vivida por Kristen Stewart com uma falta de vitalidade que faz José Serra soar como Carmen Miranda, a heroína da série é uma moça aborrecida e entediante que, parecendo sempre terrivelmente infeliz, passa a impressão de não conseguir esboçar um sorriso nem mesmo durante o orgasmo (não que Edward a ajude neste sentido) – e, assim, é difícil compreender como uma personalidade tão desestimulante atraiu não apenas o “vampiro”, mas também o lobisomem Jacob.
(...) a roteirista (que se sai bem melhor na série Dexter) ainda chega ao cúmulo de empregar diálogos que apenas ajudam a estabelecer Bella como uma ninfeta estúpida com um fraco por estabelecer o óbvio: em certo instante, por exemplo, quando um dos membros da família Cullen conclui que alguém está “criando um exército”, a protagonista não consegue se conter e emenda: “Um exército de vampiros.” – e fiquei surpreso quando nenhum dos demais personagens se virou para a moça e soltou um “Duh!” em alto e bom som.
Mais uma vez, contudo, Edward parece o par ideal para a heroína, já que, embora tendo vivido 109 anos, parece ter passado toda sua existência (des)penteando os cabelos em vez de se dedicar à leitura, já que se expressa com a articulação de um pré-adolescente viciado em Malhação. Além disso, sua burrice chega ao ponto de permitir que Jacob carregue Bella no colo por quilômetros a fim de despistar o cheiro da moça – que a vilã (vivida por uma desperdiçada Bryce Dallas Howard) seria capaz de captar – apenas para colocar o plano a perder ao decidir acompanhar a namorada. “Ela deve ter seguido o meu cheiro por saber que eu estaria com você!”, ele conclui espantado e provando ser um débil mental.Viram? Eu me divirto!

