terça-feira, 20 de setembro de 2011

Enquanto isso, em 1987...


Às vezes, ainda me surpreendo com minha cara de sapeca. E como o Rafa era fofo!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Pobre Carrero World e uma metáfora para os relacionamentos

Começou quando vi Pobre Carrero World:



Engraçado, né? Sorrio toda vez que assisto.

No entanto, o vídeo acabou me trazendo uma questão séria. Lembrei o tempo em que pegava ônibus para ir para a faculdade ou para o trabalho. Um dia me ocorreu como era curioso que, pelo menos até a próxima parada, tantos estranhos tivessem em comum uma coisa: o mesmo destino.

E aí essa lembrança veio neste período em que participo das audiências de conciliação nos processos de Sistema Financeiro de Habitação. Pela primeira vez, vejo as pessoas que estão por trás daqueles processos sofridos contra a CEF. A experiência tem sido um verdadeiro observatório da condição humana. Dentre tantas coisas que presenciei somente nesta primeira semana, me chamou a atenção o caso de uma pessoa divorciada. Coube a ela ficar com o apartamento e a dívida. As amarguras eles dividiram entre si, creio eu.

Imaginei o que era estar no lugar daquela mulher. Como é quase cultural associar o casamento a um sucesso social, será que ela respirou aliviada quando se viu casada antes dos trinta anos? Será que ela pensou que era para sempre? Será que lhe faltou o chão quando viu que não seria?

O que ela fez quando o companheiro saltou do ônibus e ela permaneceu no veículo e o destino em comum que ela julgava longínquo só durou até aquela parada?

No final, isso me intriga. Cedo ou tarde, alguém sempre desce do ônibus antes do que o outro. Já vi um caso de os dois deixarem o veículo na mesma parada, apesar de não ser a que ambos queriam. Também testemunhei gente que não sai do ônibus de jeito algum e fica esperando por anos o outro subir de novo. Há ocasiões em que se pega o ônibus errado, e o jeito é saltar para não perder o caminho certo. Existe ainda quem sobe no ônibus que não devia pegar e só percebe tarde demais. E, por mais triste que seja, às vezes é a morte que leva consigo alguém e deixa outro alguém olhando pela janela, sem rumo, assistindo à saudade passar.

Invariavelmente, alguém sempre desce do ônibus. O destino em comum é interrompido. A expectativa não preenchida dói. O que aconteceu com o itinerário que se queria? Onde está o resto do caminho que ainda cabia na jornada? O que fazer com o caminho que resta?

Então percebo que o importante é saber que há outros ônibus para pegar.

Nem que se tenha de andar a pé um pouquinho.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

movimento pequenos prazeres

Que tal tentar?

Enumere três pequenos prazeres seus e indique quantos blogs quiser (se quiser) para continuar o movimento.

Por ora, meus três pequenos prazeres são:

1. Sentir cheiro de roupa lavada.
2. Ser surpreendida por borboletas nas ruas da cidade.
3. Ficar na cama depois de acordar.

Os blogs que indico são:

Just Breathe, da Lu

WAKE UP AND LIVE, do Bruno e da Lu

Galera_D, da galera (Garota_D e colaboradores)

Vida de Samira, da Giovanna

VILA DESATINO
, do Euclides

Repare o Tempo, do Henrique

Aqui está o vídeo que editei para a campanha:

sábado, 3 de setembro de 2011

Para que servem as religiões ou Desabafo de uma pessoa momentaneamente sem rumo

Em primeiríssimo lugar, apesar de ser algo bem óbvio, aviso que o que está neste post é somente minha opinião.

Hoje não possuo religião. Fui católica por um bom tempo, mas sempre me inquietava por não ter a fé que via nos meus familiares. Ia à missa todos os domingos, observava pessoas ajoelhadas num genuflexório olhando com fervor imagens, e não entendia por que não era daquele jeito comigo também. A não ser que estivesse em algum aperto, rezava mecanimente. Até que aconteceu algo na minha vida que me fez me sentir indigna de pedir qualquer coisa a Deus e então parei de rezar. Meses depois, enquanto estava no Treinamento Básico de Renascimento, percebi que espiritualidade era algo bem maior do que seguir uma igreja, e descobri que só era católica por causa de minha família. Foi com um aperto no estômago que anunciei à minha mãe que não iria mais à missa. O alarde foi bem menor do que esperei. Não sei bem o que isso significou para meus pais e meu irmão, mas me parecia que era aquele o caminho que eu devia percorrer.

Continuando com os trabalhos de Renascimento e Kyol Che, entrei em contanto com fundamentos que devem fazer parte de religiões orientais. Foi interessante. Descobri que preciso experienciar algo para acreditar (chamo isso de minha síndrome de são-tomemismo), e é possível experimentar através da meditação ou da respiração muitas coisas sobre que os orientais discursam. Porém, semprei estanquei no conceito de que vivemos várias vidas. Então percebi que, mesmo ali, eu não comprava o pacote inteiro.

Diante desse fato, ficou claro para mim que tudo o que eu fizesse naquelas linhas seria somente a título de terapia. Faço porque me faz me sentir bem e centrada. Leio livros de "guias espirituais" como livros terapêuticos. Para mim, religiões são formas de ver a vida e de conviver com o meio. E me questiono.

Me questiono se elas exigem mais do que podemos dar ou se negam nossa condição humana. Uma amiga minha foi diagnosticada com câncer recentemente. Não tenho dúvida de que a raiz da doença se encontre no casamento infeliz que vive, que ela provavelmente nunca desfez porque recebeu a orientação de que "o que Deus uniu o homem não separa". Pregar que temos de aguentar qualquer tipo de provação em nome de uma união realizada perante um altar me parece ser a negação de um amor próprio ou de um instinto de sobrevivência. Ou é simplesmente destituir a pessoa da capacidade de ter o bom senso de fazer o que é melhor para si, escolha que sempre depende do contexto e da história de vida de cada um.

Diante de certos acontecimentos recentes, me perguntei se estaria pronta para morrer caso algo acontecesse. Não. De forma alguma. Pelo que entendi dos fundamentos orientais, isso ocorre porque estou muito apegada a esta forma de vida. Pois estou mesmo. O fato de que posso retornar não significa nada para mim porque, se isso de fato existe, não será para esta vida que voltarei.

Aí leio esta matéria sobre Steve Jobs e percebo que é possível para outras pessoas caminhar em busca do desapego. Lembro da dimensão ética que o catolicismo possui. E me ocorre que as religiões são desumanas porque nos remetem a algo superior a nós, mas o fazem com o propósito de transcendermos nossa pequenez. Talvez o problema é que não saibamos agir compassivamente com nós mesmos, porque, em face da incapacidade natural de seguirmos certos conceitos, construímos sentimentos de culpa ou desvalor. Talvez seja necessário não abdicarmos de nossa própria opinião em favor de uma crença de forma que continuemos inteiros e fiéis a nós mesmos (acho que nunca conseguirei acatar a doutrina do pecado original).

Talvez religiões nos sirvam somente enquanto nos tornem éticos e felizes.

sábado, 13 de agosto de 2011

A Árvore da Vida

O que falar sobre A Árvore da Vida? Sinceramente, pensei em postar no Facebook que o filme era grande demais para o meu intelecto. Depois li alguns críticos de cinema que sempre consulto na internet e percebi que talvez tenha compreendido mais do que supunha. Na realidade, a impressão que restou foi a de que não entendi mais a linguagem do diretor do que sua mensagem.

Okay. Dito isto, como continuo? É engraçado como fragmentos do filme vêm à minha cabeça e percebo que o longa se desenrola exatamente como nossa memória funciona. A história da família O'Brien é contada episodicamente, com punhados de fatos intercalados por cenas simbólicas (muitas das quais, confesso, escaparam da minha compreensão). O que mais me agradou dessa história é vê-la contada pelos olhos do garoto Jack, aos quais o diretor dedica uma fidelidade inabalável. Na tela, surge somente o que foi marcante para o menino, mas como isso tem o poder de evocar nossas próprias lembranças, desde aquela curiosidade (proibida) acerca dos que são diferentes de nós à dor de deixar a casa de infância. Imagino que, para os homens, a relação de Jack com seu pai deve ressoar ainda mais forte.

Esse microcosmos que é narrativa da família O'Brien tem paralelo com a própria história do universo e da Terra. Sim, o filme possui uma longa (e muito bonita) sequência que ilustra o surgimento do cosmos depois de ouvirmos a Sra. O'Brien perguntar a Deus quem somos para Ele. Acho que a resposta é que somos parte do todo, um desdobramento natural dos eventos de bilhões de anos atrás. E talvez tudo seja sempre uma constante renovação, porque o filme termina onde começa, com uma imagem ambígua que nos sugere ora um feto ora a tão famosa luz das experiências pós-morte.

E o resto eu não sei mais, rs. Para falar a verdade, não sei nem se gostei do filme. Não há dúvida de que é lindo, seja pelas imagens, seja pela humanidade que contém. Mas fica um mas que é mais questão de gosto, de costume ou expectativa...

domingo, 31 de julho de 2011

De volta e sem saber como estar de volta


Acho que a primeira coisa que quero dizer é que não sei o que estou sentindo...

É engraçado como, neste momento, desconfio que um dos maiores condicionamentos que tenho está atuando, mas não consigo transcendê-lo. Vou explicar.

Resolvi participar do Kyol Che novamente. Depois de todo o bem-estar e centramento que o retiro me proporcionou no ano passado, parecia impensável não retornar. A questão começou aí. Criei a expectativa de me sentir tão feliz quanto em 2010.

Isso não aconteceu. É até óbvio por que não. No ano passado, fui ao Kyol Che no meio de uma crise tal que qualquer sorriso que eu conseguisse manifestar me parecia uma vitória sobre a minha tendência à vitimização e sobre o medo que sentia do que ia enfrentar quando voltasse para o mundo. Vencer todos aqueles sentimentos e descobrir minha autossuficiência foi um presente inigualável.

Aí está minha resposta: inigualável. Não haveria outro igual, mas esperei que houvesse. Como resultado, nos primeiros dias de silêncio, involuntariamente ficava comparando a experiência Kyol Che deste ano com a do outro. Então me perdia em censurar esse ato de comparar, porque claramente aquilo me tirava do espaço de viver no aqui agora. Com isso, gerava ainda mais confusão mental.

Mas eis que, durante uma prática de meditação, me ocorreu que minha busca pela perfeição estava atuando. Lembrei que toda vez que uma coisa verdadeiramente boa não está boa o suficiente, é porque estou perdida neste meu condicionamento de querer O Perfeito. E assim relaxei. E o retiro se tornou o que foi. Foi mais sutil, uma vez que eu já estava mais experiente em meditar. Foi revelador, porque descobri o quanto não estou preparada para a mortalidade dos que amo e o quanto me falta de espiritualidade. Foi desafiador, porque tive de superar toda uma angústia e uma construção mental que surgiram ao enfrentar essa questão da mortalidade.

Assim voltei para Fortaleza.

E descobri que não estou centrada, rs. Já senti a sombra de vários condicionamentos. A boa notícia é que os sinto, mas comparados com os sentimentos de rever o Dinho, de sair com minhas amigas, de falar com a família, de finalmente ver Harry Potter!, eles bem parecem o que são: coisas da minha cabeça. Blah! A má notícia é que a comparação com o ano passado voltou. A pior notícia é que sei que é o condicionamento da busca da perfeição. A melhor notícia é que espero que esse turbilhão seja o início de uma desconstrução. É impressionante como, para sermos o que verdadeiramente somos, é necessário desconstruir e não construir.

A melhor das notícias é que, quando o Dinho voltar da prova de ciclismo que ele tem hoje, vou me permitir deitar do lado dele e ser vulnerável.

Porque, afinal, não sou perfeita.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

A caixinha, o querer e o errado

Ontem vi uma caixinha de madeira linda. Aliás, como é uma questão de gosto, digo que era linda pra mim, que adoro caixinhas de madeira. Essa não tinha pintura nem decoupage, mas sua tampa imitava uma vitrine. Por trás do vidro, havia botões, uma blusinha de tecido xadrez, uma miniatura de máquina de costurar que nem a da minha avó (aquela Singer preta e esbelta), um carretel de linha.

Quis muito comprar a caixinha. Contra esse querer, vieram tantos motivos... Eram muitos reais a menos no meu bolso por uma coisa de que não precisava, faltava uma penteadeira para ter onde colocá-la, talvez houvesse uma mais bonita em outra loja...

Por outro lado, sentia que a queria. Até enxergava minhas pulseiras e brincos dentro dela, devidamente separados pela divisória que ela continha.

Mas terminei deixando a caixinha na loja. O argumento que me venceu foi o mais estúpido de todos os argumentos que poderiam servir de desculpa para não a comprar. Não a levei porque pensei "Mas ela deve ser para guardar coisas de costura. Eu não vou guardar coisas de costura nela."

Em outras palavras, desisti porque seria "errado" guardar brincos e pulseiras em uma caixinha de costura. Apesar de querer a caixinha, não a comprei porque seria "errado".

Hoje minha analista me chamou a atenção de como esse cartesianismo, essa minha divisão das coisas em certas e erradas, rouba o lugar do meu querer, da minha vontade. Naquele momento da sessão, nem me recordei da caixinha, mas, ao caminhar do consultório para minha casa (um longo percurso de meio quarteirão), lembrei do episódio e me dei conta de como é um exemplo emblemático dessa minha questão.

E aqui faço um desabafo. Confesso que ainda não sei mudar isso. Confesso que, principalmente desde a semana passada, desejei ter outra forma de ver as coisas, ter outro jeito de funcionar, ter outra história de vida.

Preciso mandar Descartes passear.

De modo que, da próxima vez que vir uma caixinha, o querer apareça sem a interferência do errado, e prevaleça e reine sozinho e eu fique feliz.

sábado, 2 de julho de 2011

Someone Like You


---------------------------------------como fica
---------------------------------------quem fica
-------------------------------------pra trás?




I heard that you're settled down
That you found a girl and your married now
I heard that your dreams came true
Guess she gave you things, I didn't give to you

Old friend
Why are you so shy
It ain't like you to hold back
Or hide from the light

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it
I hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me, it isn't over

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you two
Don't forget me, I beg, I remember you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead, yeah

You'd know how the time flies
Only yesterday was the time of our lives
We were born and raised in a summery haze
Bound by the surprise of our glory days

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it
I hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me, it isn't over yet

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you two
Don't forget me, I beg, I remember you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead, yeah

Nothing compares, no worries or cares
Regrets and mistakes they're memories made
Who would have known how bitter-sweet this would taste

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you two
Don't forget me, I beg, I remembered you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you too
Don't forget me, I beg, I remembered you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead, yeah, yeah


Adorei essa música. Acho que vou virar fã da Adele. :o)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Ainda dá tempo de se inscrever


Divulgando a mensagem que recebi por email:

Um bom dia é um dia Zen

Bhaskar

Um tempo para você colocar a atenção em você mesmo e na natureza de sua (nossa) existência.

Tornou-se uma tradição: chega o mês de julho e com ele o paradisíaco espaço Morgenlicht (em Novo Friburgo) se abre para o retiro Kyol Che, cuidadosamente preparado para que 15 dias de meditação intensiva tornem-se as melhores e mais inesquecíveis férias de sua vida. Até porque, nada mais será como antes depois destas duas semanas de mergulho no silêncio, na serenidade e no desfrutar a vida momento a momento – como nos convida o Zen.

Conduzido por Samvara Bodewig desde 1989, quando Osho a convidou para oferecer este mesmo retiro em versão de 3 meses em sua comunidade em Puna (Índia), o Kyol Che tem em sua fragrância o delicado charme das práticas do Zen Budismo, neste caso com tonalidades que Samvara foi buscar na escola coreana.

A rotina do retiro – sempre em silêncio - inclui meditação, caminhadas, cantos e mantras, vídeos com mestres de todos os tempos e exercícios suaves de vento Zen: tudo para que você dê uma pausa radical no constante movimento de busca da vida nas ações (no mundo exterior) e permita que sua energia volte-se para o centro – de volta para casa!

Para quem já conhece métodos de meditação, o Kyol Che é um espaço de definitiva profundidade. Para quem não tem uma trajetória de busca espiritual inspirada pelo conhecimento oriental e possa pensar que não saberá aproveitar (ou mesmo conseguir realizar) um processo tão intenso, posso garantir que não ocorre nenhuma luta em função da prática do silêncio, que logo é abraçado com tremendo conforto.

Assino embaixo das palavras de Samvara: “Uma experiência tão completa do que é a meditação pode proporcionar que você se dê conta de como funciona a mente e do quanto você está envolvido, identificado, com as criações mentais, libertando-se deste processo”.

De Osho sobre meditação:

"A mente é um contínuo congestionamento de conceitos, idéias, preocupações, ansiedades, desejos...fazendo com que você perca a sensação do Aqui e Agora. O oposto disto é o estado meditativo. É a consciência de que você não é a mente. É permitir que toda esta energia inquieta, que circula na superfície do seu ser retorne ao centro. A meditação é o paraíso perdido que pode ser recuperado. Ela vai além do dualismo do pensamento tornando sua energia mais integrada. Não se trata de mudar conceitos mas sim de reencontrar sua própria essência".

PARA SABER MAIS:

* Retiro Kyol Che: de 16 ate 29 de julho, no espaço Morgenlicht (Novo Friburgo -RJ). Outras informações com Dhyan pelo e-mail dhyanida@gmail.com

* Mais sobre Samvara Bodewig, terapeuta e professora espiritual alemã que adotou o Brasil como sua casa, assim como depoimentos de participantes de versões anteriores do Kyol Che você encontrará em www.samvara.info

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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Os meus três centímetros


Descobri recentemente que tenho 1,58m de altura. Desde que parei de crescer, sempre tive como certo que media 1,55m. De onde os três centímetros vieram, não sei dizer. Deve ter sido resultado de uns dois meses de RPG (a fisioterapia, não o jogo) que melhoram minha postura e desencavaram meu pescoço.

O fato tem mais um detalhe. No ano passado, visitei uma nutricionista. Naquela época, ela já havia anunciado os meus três centímetros de acréscimo. Simplesmente não a ouvi. Achei que me medira errado. Vai ver eu me empertigara além da conta.

Somente agora, com a confirmação de outro profissional, aceitei meus três centímetros. E me perguntei por que duvidei deles. Me indaguei por que continuei dizendo que tinha 1,55m quando isso não era mais a verdade.

Ampliei a questão para abarcar minha vida. Deixei de ser uma pessoa de 1,55m de altura. O que mais deixei de ser que ainda insisto em dizer que sou?

Como resposta, lembro de uma cena que se repete até com certa frequência. Ao chegar no trabalho, é comum dividir o elevador com mulheres altamente produzidas e elegantes. Enquanto aguardamos na fila, percebo em mim a expectativa de um sentimento. É bagagem que trago da adolescência. Tal qual naquela época, espero que, no momento em que entrarmos no elevador e eu me olhar no espelho, me sinta inferior àquelas mulheres. Qual não é a surpresa quando, ao encarar meu reflexo, não encontro mais esse sentimento. Me sinto normal. Me sinto eu.

Isso é um progresso. Palmas, êêêê!!!! :o) Mas permanece a questão de que deve haver ainda vários rótulos e padrões e formas de pensar que não se aplicam mais a mim, embora teime em resgatá-los do descarte.

Tenho de descobrir o que não cabe mais na minha vida.

Aliás, tenho de descobrir o que já não me cabe mais. Afinal, agora tenho três centímetros de acréscimo.