Vi meu primeiro post e o compromisso que fiz comigo de ter um 2009 diferente. Até agora, pelo menos em relação a certas datas, parece que consegui. Minha maior vitória foi comemorar meu aniversário (sexta-feira passada, dia 24) de bem com a vida. Depois de muito tempo, foi o primeiro em que não me incomodaram as coisas que não tenho. Pelo contrário, celebrei intimamente as coisas que tenho. Celebrei até o fato de ter conseguido pegar o bolo na casa da boleira-que-mora-no-fim-do-mundo sem me perder no caminho.

Aliás, meu presente de mim para mim mesma foi uma experiência e tanto. Resolvi conservar meu momento de bem-estar com um ensaio fotográfico. Meu propósito foi preservar um momento inédito de saudável autoestima. Foram mais de setecentas fotos, nas quais apareço em mais da metade:
a) fazendo careta;
b) em estado de visível tensão;
c) com os olhos quase fechados por causa da combinação luz solar + astigmatismo;
d) fazendo careta, em estado vísivel de tensão, com os olhos quase fechados por causa da combinação luz solar + astigmatismo.
(Isso me lembra esse post engraçadíssimo da Maddie.)
Mas no fim, o produto ficou legal graças principalmente ao Aron Rocha, O Fotógrafo. Quem quiser ver o trabalho dele, pode seguir este link aqui. Ressalto que foi mesmo uma experiência e tanto. Saímos sete da matina rumo à Prainha, parando em locais bonitos no meio do roteiro para aproveitar paisagens enquanto o banco traseiro do meu carro ficava pior do que meu quarto, com todas as trocas de roupas espalhadas por cima dele.
Falando em carro...
Aí veio o papoco (ou segundo o Houaiss, o estrondo). Em um domingo ensolarado, dia 26 de abril - para ser mais exata, saio sorridente para uma caminhada na praia. Mas eis que havia um ciclista suicida circulando pela Av. Santos Dumont. Eis que ele acha de atravessar a avenida no momento em que um carro se aproxima. E então o carro freia bruscamente para frustrar o desejo suicida do ciclista filho-da-puta.
Aí bato no carro que freou bruscamente.
E então? Estreei os 27 anos com um papoco ou não? A boa nova é que estou bem, tenho seguro e gostei da minha reação na hora do acidente. Em vez de pensar "Não acredito que isso aconteceu comigo" (será que isso se chama egocentrismo?), disse mentalmente:
"Porra, bati o carro."
Ponto final.
E o ciclista suicida? Sequer olhou para trás. Deve estar causando mais prejuízos por aí, o filho-da-puta.