sábado, 19 de fevereiro de 2011

Quem precisa do Mal?

Uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos da Felicidade da Universidade para a Vida demonstrou que se vive verdadeiramente feliz na ausência da dicotomia entre o Bem e o Mal. Os estudiosos partiram da hipótese de que, se a ideia de Mal é apresentada ao homem, ele tenderá a equivaler felicidade à ausência ou à anulação do Mal-estar. Nesse cenário, a felicidade jamais é experimentada em sua plenitude.

O experimento consistiu em dividir os voluntários em duas comunidades. A Comunidade Violeta recebeu uma caixa do Mal e uma caixa do Bem. A Comunidade Azul recebeu somente a caixa do Bem. As caixas do Bem que foram distribuídas para os componentes de ambas comunidades estavam vazias, cabendo a seus donos completá-las, se assim o quisessem. Por outro lado, a caixa do Mal, destinada somente àqueles da Comunidade Violeta, vinha preenchida. Os sujeitos a receberam repleta de depressão, agressividade, angústia, preguiça, insegurança e toda sorte de sentimentos negativos.

Aos participantes do experimento foi transmitida a seguinte instrução:

Você deve ser feliz.

Durante um ano, os indivíduos foram observados em sua vida diária. Os pesquisadores observaram duas condutas entre os componentes da Comunidade Violeta. Em busca do propósito de ser feliz, algumas pessoas preocuparam-se somente em tentar esvaziar a caixa do Mal, jamais se preocupando com a caixa do Bem. Tomaram algumas medidas como procurar terapia ou aderir a uma religião, mas o cotidiano dessas pessoas não demonstrou grandes alterações. Quando entrevistados, esses participantes diziam-se satisfeitos com a vida que levavam, embora muitos parecessem apáticos.

Outros membros da Comunidade Violeta tentaram preencher a caixa do Bem em busca da felicidade. Um fato observado pelos pesquisadores foi a tentativa desses participantes de parear o Bem com o Mal, como se aquele anulasse este somente na exata proporção em que se correspondessem. Essas pessoas também afirmaram que estavam contentes com seu estilo de vida, todavia, segundo as observações dos pesquisadores, a maioria alegava isso com um ar reticente, como se os participantes desconfiassem de que havia mais a ser feito por si próprios.

Por sua vez, a Comunidade Azul apresentou um comportamento totalmente diferente. Porque não possuíam a caixa do Mal, os membros dessa comunidade não tentaram preencher a caixa do Bem pela metade ou até seu limite. Para viverem felizes, ultrapassaram a medida do recipiente, havendo quem requeresse mais caixas para conter tanto Bem-estar. A diferença fundamental dos participantes da Comunidade Azul se deveu ao fato de que tentavam viver a vida de acordo com sua total potencialidade, sem basear-se em parâmetros. Cada minuto do relógio era vivido com apreciação, e os membros investiam em viagens, passeios com amigos, esportes, arte, e outras tantas atividades, cada qual de acordo com o gosto de cada um. Ao serem indagados acerca de suas escolhas de vida, essas pessoas forneceram respostas que se sintetizam na seguinte crença:

Ser feliz é curtir a vida com totalidade.

Essa é para pensar. :o)

A ideia base desse texto já foi abordada neste post e pertence à minha analista, também conhecida como Pessoa Inteligente (aqui no Reflexos) ou como A mulher que não usava bolsa (lá no blog da Silmara Franco).

2 comentários:

Luciana disse...

Esse texto me lembra de uma fala atribuída a Osho, de que, para alcançarmos a felicidade, devemos partir do pressuposto de que todos os nossos problemas já estão resolvidos. O foco não deve ser a resolução dos problemas, até porque, segundo ele, a mente sempre cria mais uma nuance para velhos assuntos...

Otávia disse...

Ideia ótima em um texto muito bem escrito. Parabéns, Ana Raquel!