Adorei!
Tiny Story from Sebas & Clim on Vimeo.
Vou escrever puxando só pela memória mesmo, que me bateu uma preguiça de sair pesquisando. Um dia desses, lembrei de uma tese de doutorado que li para redigir minha dissertação. Lembrei especificamente dos atos de fala performativos. Às vezes, o que dizemos muda realidades. Isso é comum, por exemplo, no discurso de juízes durante um processo. Ao declarar que "julga procedentes os pedidos da ação", o magistrado, somente com palavras, transforma uma situação ao reconhecer o direito daquela pessoa que ajuizou a demanda. Porque o juiz o faz através de um enunciado, é um ato de fala. Porque o juiz faz alguma coisa ao proferir esse enunciado, é um ato de fala performativo.Já o segundo, fruto de uma conclusão a que cheguei ao descobrir a história espetacular de uma pessoa, caminhou assim:
Daí pensei nas minhas crenças sobre mim mesma e como elas determinaram minha realidade. Analogamente, foram atos de fala performativos do meu inconsciente. Ele falou, eu acreditei, e um universo foi criado.
Sentada na areia, observou a criança que se aproximava. Ultimamente percebia uma mudança. Sempre quisera uma menina. Já havia escolhido até o nome. Se fosse um menino, e ela nunca pensou que seria um, havia uma opção de que gostava, mas a cunhada se antecipara. Tinha de pensar em outro nome.Remexendo nas postagens antigas, ainda descobri outro texto inacabado. Tratava-se do nascimento da ideia que gerou Desfragmentos, mas ao contrário. Prefiro do jeito que ficou. :o)
A criança chegou mais perto. Não sabia precisar a idade dela. Qualquer coisa que dependesse dos seus olhos restava mal avaliada. Seu olhar era mais que míope para tantas coisas e detalhes. Parecia sempre que ele apreendia uma visão geral e inexata das coisas. O garotinho chegou até ela e parou meio desconfiado. Ela mostrou seu melhor sorriso, mas ele ainda a espiava como se não entendesse. Quando ela acenou com os dedos, ele finalmente sorriu. Em seguida, deu meia volta e saiu correndo na ponta dos pés em direção aos pais, desafiando a gravidade como só as crianças fazem. Seu andar balançava a calça descartável sob a sunguinha do Ben10. Uma graça.
Percebeu a mudança de novo, a intuição de que o primeiro filho seria homem. Em regra, não acreditava em intuição. Parecia um palpite romantizado. No entanto, era bom sentir que acolhia também a possibilidade de um menino. E o nome?