domingo, 11 de dezembro de 2011
Por não ter o que falar
No momento, posso falar de um pensamento que circulou aleatoriamente na minha cabeça. Postei no Face que havia me dado conta de que comecei a viver minha vida tarde. Isso é verdade. Um dia desses, investigando mais uma vez meu passado, revi a redoma que habitei durante tantos anos em virtude de falsas crenças e condicionamentos. Esse texto da Silmara Franco me lembra esse período. Fui plastificada. Que nem minhas bonecas, com que brincava cuidadosamente para não quebrar e assim durar.
A boa notícia é que, se comecei a viver tarde, pelo menos não foi tarde demais. Pensei no tanto, mas no tanto de coisas que quero fazer e suspirei aliviada. Dá tempo (eu acho). Provavelmente vou continuar por um ano sem mobiliar meu apartamento mais a meu gosto, mas já assumi minha inversão de prioridades. Afinal, mais duas viagens para o exterior estão na pauta de 2012.
Por falar em viagem, aproveitando que estou num fluxo de consciência só, ainda me encanto com a de Nova York. Tanta coisa que poderia ter dado errado e deu tudo tão certo. Até meus dias de férias se encaixaram como uma luva. Ali foi a prova do que uma amiga me disse. A gente se esquece de que coisas boas acontecem na nossa vida. Como acontecem.
Aliás, às vezes me encanto com a vida e com as pessoas. Tanta gente boa nesse mundo. Tantas possibilidades nessa vida. Por que é mesmo que a gente se perde no meio do caminho? Por que é mesmo que a gente cria uma zona de conforto, se o que é melhor para a gente sempre está fora dela?
E... para ilustrar o mal de que padeço no momento, aqui estanco. Pode ser que amanhã eu consiga retornar e retomar este post. Caso contrário, deixo aqui minha explicação.
Boa madrugada.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Melancolia
Melancolia terminou e tive dificuldade de me levantar da cadeira do cinema. A inércia se devia em parte, reconheço, à náusea que me ameaçou o tempo inteiro durante a projeção. Se aquele é o estilo usual de Lars von Trier de filmar, suas obras deveriam conter um aviso para prevenir quem, assim como eu, enjoa até em viagem de carro.Mas é claro que fiquei paralisada também pela força do filme. Houve um diálogo entre Justine e o noivo que me deixou suspensa durante todo o longa e me assombrou o resto do final de semana. De resto, o filme inteiro me foi tão impactante quanto o próprio planeta Melancolia.
Porque, no fim, acredito que é disso que trata o filme: de deixar-se impactar pela melancolia. Desconfiei um pouco de minha conclusão, pois me parece ligeiramente simplista, mas a ameaça de colisão de Melancolia com a Terra nada mais é do que a metáfora para a sujeição a esse sentimento que nos acomete. Enquanto assistia ao filme, sempre me vinha à mente como, na língua inglesa, o verbo strike é empregado tanto para se referir literalmente a uma colisão (para aproveitar o enredo do longa, The planet Melancholia will strike the Earth) quanto a ser atingido por uma emoção (e.g. Melancholia struck Justine the minute her mother opened her mouth).
E eis que a melancolia realmente atinge todos. Justine e ela já são velhas conhecidas. Espíritos afins, como me pareceu sugerir aquela cena em que a personagem de Dunst se banha da luz do planeta. É curioso ver que, a partir do momento em que Melancolia se aproxima da Terra, os outros saem de suas órbitas ao se renderem ao medo, mas é Justine que permanece centrada. Ela já conhece aquele mundo; somos nós que trepidamos ao sermos apresentados a ele.
Aparentemente, nada resiste à melancolia. Não é de forma alguma um prognóstico animador, mas não deixa de ser uma realidade, pelo menos enquanto estamos imersos no sentimento. Pelo pouco que li de von Triers, foi a realidade que ele viveu por algum tempo. Não o culpo por tentar dar vazão à sua angústia. Li uma resenha que comparava os filmes Melancolia e Árvore da Vida, e terminava por julgar este superior por não ser, digamos, niilista como aquele. Sinceramente, é uma questão de escolha sobre a que se atribui sentido. Podemos ter uma experiência positiva se entendemos, por exemplo, que a lição está em se fazer exatamente o contrário do que é mostrado na tela. Neste aspecto, Melancolia pode até ser pedagógico se compreendermos que não devemos agir como suas personagens.
O filme me pareceu quase um thriller. Fiquei impressionada como algo tão intimista pudesse me causar suspense. Durante a primeira parte, uma vez que acreditei fosse verdadeira a alegria em que Justine se encontrava no início da projeção, fiquei intrigada com as falas das personagens e com aquelas pequenas pistas. Quando Justine começa a sucumbir à tristeza, os diálogos sugerem algo que já estava lá, mas que não víamos, e pouco a pouco a depressão crônica de Justine é revelada. Kirsten Dunst é maravilhosa ao demonstrar isso apenas com o olhar.
Às vezes, a maioria das vezes na verdade, reluto muito em recomendar qualquer filme. É sempre uma questão de gosto e de história de vida, que tem de achar alguma ressonância naquilo que é projetado na tela de cinema para justificar a simpatia por uma obra. Não recomendo o filme de Lars von Trier sob hipótese alguma. Quem quiser vê-lo, faça por sua conta e risco. Por outro lado, ao contrário do que aconteceu com Árvore da Vida, pelo menos soube que gostei de Melancolia. Assistiria de novo se não fosse o medo da náusea... se bem que tenho sempre uma caixa de Dramin à mão. ;o)
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
A volta de uma bailarina que não foi, mas agora é
Depois de onze anos parada, o desafio da vez em relação ao meu retorno ao balé é tentar não ser perfeita e só curtir. Agora, não preciso mais oferecer resistência ao movimento.
A bailarina que não foi não sabia fazer isso. A bailarina que agora é sabe.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Fim de férias
Fim de férias com amigos.

E mais uma vez constato que a verdadeira riqueza da vida está nas relações humanas.
domingo, 23 de outubro de 2011
Foi assim em NYC
O pequeno detalhe é que a viagem era dali a dois dias! Nunca fiz isso na vida, rs. Nunca viajei sem um mínimo de programação, sem hospedagem reservada, sem roupas lavadas para guardar na mala. Praticamente não dormi do dia 12 para o dia 13. Pela manhã, lembrei de uma coisa meio vagamente. Procurei entre meus livros e achei o que queria. Era o guia da Publifolha de Nova York. Naquele momento, a ficha caiu: sem nem querer, estava prestes a realizar um sonho. Eu possuía aquele guia porque sempre quis conhecer Nova York. Havia-o comprado talvez dois anos antes, tendo em mente que aquele seria o primeiro passo para, algum dia no futuro, visitar a Big Apple.
Então partimos na sexta, dia 14. Tirando aquelas horas intermináveis de voo, foi provavelmente a viagem mais divertida que fiz, tanto pelos companheiros (pessoas lindas) quanto pelos próprios imprevistos. Foi com emoção do começo ao fim, rs. E adorei! Parece que vivi um mês em uma semana.
Hoje me ocorreu que essa experiência guardava uma lição de vida para mim. Quando vivemos sem expectativas, dançando conforme a música, tudo corre bem porque aceitamos o que está sendo. A vida é o que ela está sendo. Não há necessidade de fazermos juízo de valor sobre os acontecimentos, rotulá-los de acertos ou fracassos. A expectativa que criamos é que dá base a esses julgamentos. Fui sem essa danada para NYC e aproveitei cada momento. Carreguei mala procurando hospedagem feliz da vida, peguei chuva sorrindo que nem doida, e fizemos loucuras sem nos importar com o que os outros pensavam.
Abaixo seguem fragmentos dessa semana inesquecível:
E é isso. Nova York é linda. Adorei a mistura de prédios antigos e novos, que nunca é desarmônica. Na última noite, caminhava pela 7th Avenue com a amiga S., levando o jantar para o hotel e calçando minhas botas ;o), e comentei que estava me sentindo uma nova iorquina. Adoro quando a cidade que visito se torna familiar pra mim. Foi assim em NYC.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Por falar em ser criança
Toda vez que ouvia essa expressão, me perguntava por que o fulano havia desenhado um rei na barriga dele. Imaginava o fulano e sua pança, na qual ele pintara com tinta guache uma figura bonachona, com um chapéu de guinzos que nem o do bobo da corte. Parando para pensar, acho que o monarca da minha imaginação era o rei momo que saía nas propagandas de Carnaval da Globo.
Por falar em barriga, quando ia dormir, tinha o maior cuidado ao me virar na cama. Uma vez, minha mãe me leu uma história em que uma menina gordinha nunca se deitava de barriga pra cima para não esmagar o anjo da guarda dela. Aparentemente, anjos da guarda voam sempre pelas suas costas. Eu também não queria causar o mesmo dano ao meu: me virando de mansinho, ele tinha chance de sair do lugar.
Por falar em história, foram tantas que marcaram. No Jardim II, a Raquel Melo apareceu com um texto escrito e ilustrado pela mãe dela em folhas de papel almaço. A personagem era uma boneca vagalume. Eu tinha a boneca e queria a história também, mesmo que não soubesse ler. Pedi, pedi, aperreei, aperreei, e a mãe da Raquel me escreveu uma. Na primeira série, rolava a lenda da Perna Cabeluda, com que, um dia, o Davi e o Lucas Machado fizeram tanto medo ao Bruno Raphael, que ele gritou, assustou a tia Jucileide e a fez derrubar os cadernos que guardava no armário. Havia também a história daquela música horrivelmente fúnebre que a mamãe cantava pra mim e meu irmão (que não gosta de ouvi-la até hoje). E não há como esquecer aquele conto apresentado na aula de redação da segunda série, que era sobre uma coisa azul inominada, com formato de esfera, mas com uma saliência meio fálica, se me permitem. Aquilo me intriga até hoje. Que é que estavam nos passando para ler?
Por falar em segunda série, foi naquele tempo em que decidi que ia mudar. Acordei determinada. Escovei os dentes responsavelmente (acho que, nos outros dias, eu só fingia) e dei bom dia a todos que passaram por mim nos corredores do colégio, antes mesmo que eles me vissem. Não ia mais ser tímida! Anunciei um bom dia sonoro também pra tia Conceição quanto entrei na sala de aula. A mudança só durou um dia.
Por falar em higiene bucal, lembro que eu dificultava a vida dos meus pais nesse aspecto. Então, como incentivo, eles decidiram me comprar uma linda escova de dentes cor de rosa, com desenhinhos no cabo e cheirinho de tutti-frutti. Aí foi que eu não cuidei mesmo dos meus incisivos, caninos e molares, porque tinha pena de gastar a escova.
Por falar em tutti-frutti, eu não tive um amigo imaginário. Eu tive uma turma de amigas imaginárias, que era a Turma Tutti-Frutti. Subíamos até o segundo galho da goiabeira do parque grande ou até o primeiro galho da mangueira do parque médio, porque tínhamos medo de cair (no meu colégio, havia dois parques: o grande e o médio). É claro que eu era a líder. Vê se tem cabimento você imaginar uma turma de amigas e ainda não ser a chefe.
Por falar em ser líder, eu imaginava que minha vida era uma novela em que eu era a protagonista e os outros, mero coadjuvantes. Eu também brincava de ser professora e ensinava meu dever de casa para meus ursos de pelúcia e minhas bonecas maiores, Xuxa e Mônica.
Por falar em Mônica, a do Maurício de Sousa tinha o Sansão, mas eu tinha a Dalila, minha lancheira. Quando o André Brasil e o Tiago Bezerra me chamavam de Formiga Atômica, invariavelmente levavam a Dalila na cabeça. A Dalila machucava muito porque, apesar de ser um bolsinha leve da My Melody, ela guardava uma garrafa térmica cor de rosa. Era o lanche que eu mesma preparava pra o meu recreio: uma garrafa térmica de Guaraná Antarctica. Bem nutrida desse jeito, logo se vê por que cresci tanto.
Por falar em crescer... Hoje em dia, entendo que há duas crianças dentro de mim. Há uma criança ferida, que acumulou defesas e mágoas ao longo dos anos. Preciso deixá-la crescer para agir verdadeiramente como adulta. No entanto, há também uma criança feliz, que às vezes resgato lá do fundo de mim mesma. Essa não precisa crescer. Essa pode ser criança sempre, que é para eu me tornar uma adulta sempre maravilhada com a vida.
Feliz Dia da Criança para todos nós.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Os ensinamentos ficaram
Foi por isso que meu encanto por Steve Jobs cresceu. Por mais que gostasse da elegância e funcionalidade dos produtos da Apple, tecnologia não é minha área de interesse. Somente quando li uma matéria sobre o estado de saúde dele foi que Steve Jobs se personificou para mim como um ser humano admirável. Não sabia praticamente nada da vida dele, mas o fato era que o homem sofria de câncer e continuava vivendo. Era o que bastava.
Hoje vi pela primeira vez o tão aclamado discurso proferido na Universidade de Standford. Deu nó na garganta quando ele se referiu à doença como se ela já estivesse vencida. De resto, é mesmo um discurso fascinante e uma bela história de vida.
Minha passagem favorita (texto na íntegra aqui):
Reed College at that time offered perhaps the best calligraphy instruction in the country. Throughout the campus every poster, every label on every drawer, was beautifully hand calligraphed. Because I had dropped out and didn't have to take the normal classes, I decided to take a calligraphy class to learn how to do this. I learned about serif and san serif typefaces, about varying the amount of space between different letter combinations, about what makes great typography great. It was beautiful, historical, artistically subtle in a way that science can't capture, and I found it fascinating.Para uma pessoa de pouca fé como eu, rs, isso me parece o melhor e mais difícil conselho a ser seguido.None of this had even a hope of any practical application in my life. But ten years later, when we were designing the first Macintosh computer, it all came back to me. And we designed it all into the Mac. It was the first computer with beautiful typography. If I had never dropped in on that single course in college, the Mac would have never had multiple typefaces or proportionally spaced fonts. And since Windows just copied the Mac, it's likely that no personal computer would have them. If I had never dropped out, I would have never dropped in on this calligraphy class, and personal computers might not have the wonderful typography that they do. Of course it was impossible to connect the dots looking forward when I was in college. But it was very, very clear looking backwards ten years later.
Again, you can't connect the dots looking forward; you can only connect them looking backwards. So you have to trust that the dots will somehow connect in your future. You have to trust in something — your gut, destiny, life, karma, whatever. This approach has never let me down, and it has made all the difference in my life.
Não sei onde Steve Jobs está agora. Aliás, não sei se existe lugar ou estado para ele estar ou se existe ainda algum Steve Jobs para ser. Mas os ensinamentos ficaram.
p.s. Morri de rir com a alfinetada para o Bill Gates.
p.p.s.: Não sabia que Jobs foi criador da Pixar!
terça-feira, 20 de setembro de 2011
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Pobre Carrero World e uma metáfora para os relacionamentos
Engraçado, né? Sorrio toda vez que assisto.
No entanto, o vídeo acabou me trazendo uma questão séria. Lembrei o tempo em que pegava ônibus para ir para a faculdade ou para o trabalho. Um dia me ocorreu como era curioso que, pelo menos até a próxima parada, tantos estranhos tivessem em comum uma coisa: o mesmo destino.
E aí essa lembrança veio neste período em que participo das audiências de conciliação nos processos de Sistema Financeiro de Habitação. Pela primeira vez, vejo as pessoas que estão por trás daqueles processos sofridos contra a CEF. A experiência tem sido um verdadeiro observatório da condição humana. Dentre tantas coisas que presenciei somente nesta primeira semana, me chamou a atenção o caso de uma pessoa divorciada. Coube a ela ficar com o apartamento e a dívida. As amarguras eles dividiram entre si, creio eu.
Imaginei o que era estar no lugar daquela mulher. Como é quase cultural associar o casamento a um sucesso social, será que ela respirou aliviada quando se viu casada antes dos trinta anos? Será que ela pensou que era para sempre? Será que lhe faltou o chão quando viu que não seria?
O que ela fez quando o companheiro saltou do ônibus e ela permaneceu no veículo e o destino em comum que ela julgava longínquo só durou até aquela parada?
No final, isso me intriga. Cedo ou tarde, alguém sempre desce do ônibus antes do que o outro. Já vi um caso de os dois deixarem o veículo na mesma parada, apesar de não ser a que ambos queriam. Também testemunhei gente que não sai do ônibus de jeito algum e fica esperando por anos o outro subir de novo. Há ocasiões em que se pega o ônibus errado, e o jeito é saltar para não perder o caminho certo. Existe ainda quem sobe no ônibus que não devia pegar e só percebe tarde demais. E, por mais triste que seja, às vezes é a morte que leva consigo alguém e deixa outro alguém olhando pela janela, sem rumo, assistindo à saudade passar.
Invariavelmente, alguém sempre desce do ônibus. O destino em comum é interrompido. A expectativa não preenchida dói. O que aconteceu com o itinerário que se queria? Onde está o resto do caminho que ainda cabia na jornada? O que fazer com o caminho que resta?
Então percebo que o importante é saber que há outros ônibus para pegar.
Nem que se tenha de andar a pé um pouquinho.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
movimento pequenos prazeres
Que tal tentar?Enumere três pequenos prazeres seus e indique quantos blogs quiser (se quiser) para continuar o movimento.
Por ora, meus três pequenos prazeres são:
1. Sentir cheiro de roupa lavada.
2. Ser surpreendida por borboletas nas ruas da cidade.
3. Ficar na cama depois de acordar.
Os blogs que indico são:
Just Breathe, da Lu
WAKE UP AND LIVE, do Bruno e da Lu
Galera_D, da galera (Garota_D e colaboradores)
Vida de Samira, da Giovanna
VILA DESATINO, do Euclides
Repare o Tempo, do Henrique
Aqui está o vídeo que editei para a campanha:

